Mãe, amiga e musa inspiradora. Quero mais o quê?

 

Quando me olho no espelho fico pensando se me tornei quem, quando criança, pensei em ser. Não digo em relação à minha profissão, mas sim na pessoa que sou; como reajo aos impactos que a vida me dá; como lido com dificuldades; como lido com meu corpo; como lido comigo mesma.

Nestes meus momentos de análise sempre vem na minha mente: “O que mamãe faria? Mamãe terá orgulho de mim? Será que mamãe gostará disso?”. Sim, dou a volta no mundo e sempre retorno para mamãe, minha mãe. 

Ela é o meu exemplo, minha diva, meu guia e por quem sou mais apaixonada neste mundo. Pode parecer piegas ou coisa sazonal, mas quem me conhece sabe que deixo este amor escancarado 365 por ano. E não, não tenho vergonha alguma de dizer o quanto minha mãe é importante para mim. Se na aparência eu sou 50% mamãe e 50% papai; na vaidade sou 95% mamãe! (deixo os 5% com Papai Fidelis porque ele é bem louco por um perfume hahaha)

Sim, Mamãe Diva que me ensinou como cuidar de mim interna e externamente. Sempre passou creme no meu corpo antes de dormir; fazia máscara no nosso cabelo (meu e da minha irmã); pintava minhas unhas depois de eu tanto insistir… E eu cresci assim! Olhando para cima e vendo uma mulher LINDA se maquiando com todo o prazer do mundo, andando de salto com uma firmeza e elegância que eu admiro até hoje; escolhendo roupa com pressa mas ao mesmo tempo pensando nos detalhes. Cresci com um exemplo de mulher MARAVILHOSA.

 

 

O tempo passou, cresci e hoje nós duas compartilhamos dicas. Me formei em marketing mas trabalho como blogueira. Logo, produtos e novidades não faltam aqui em casa. Algumas coisas que mamãe não sabe sobre beleza eu vou e ensino. Ela me pergunta qual melhor máscara para o cabelo dela (está em um caso de amor com o banho de creme da linha Pós Química), como eu sugiro que ela aplique, quer iluminar o rosto loucamente, e ama quando recebe algo em seu nome! hahahhaah

O que mudou? NADA! Ou melhor, agora além de mãe ela é minha melhor amiga. A mulher que me tornei foi com base nela e no papai e minha inspiração vem dela TODOS OS DIAS. Sempre me perguntam “Em qual famosa você se inspira Maraisa?” Eu respondo que não preciso sair da minha casa para ter uma inspiração feminina. Agradeço à Deus todos os dias por isso. Me inspiro nela como pessoa (tem uma paciência que só), como profissional… AMO como mamãe se veste, como se cuida (ela passa creme no corpo TODOS OS DIAS após o banho, eu não consigo ter esta disciplina), e como tem um tom de voz sereno para falar com as pessoas. A amo por completo.

Só quero dizer OBRIGADA! Obrigada mãe por me mostrar que posso me amar independente do que digam, por estar ao meu lado em todos os momentos, por me mostrar os erros e por me introduzir neste mundo maravilhoso da beleza. Sim! Se não fosse por você, este não seria o meu trabalho hoje. Aliás, trabalho que eu amo!

Beijos,

Hidratação, nutrição ou reconstrução. O que o meu cabelo precisa?

Vamos começar esse post com uma grande verdade: todo mundo precisa de alguma dessas três coisas, ou até mesmo das três.  Ao contrário do que muita gente pensa, não só os cabelos que passam por procedimentos químicos precisam de cuidados especiais.

Mas calma, a gente vai te explicar direitinho o porquê disso:

Diversas causas levam os fios à perda de nutrientes, água e massa diariamente, como: o uso do secador, chapinha, banhos quentes, exposição ao sol, cloro, água do mar, vento, poluição e mais uma lista imensa de coisas que prejudicam as madeixas. A consequência disso tudo é um cabelo sem brilho, fraco, quebradiço e ressecado. Ou seja, é preciso repor os nutrientes, a água e a massa já!

São os cuidados diários e constantes que garantem um cabelo bonito e saudável. E o primeiro passo para cuidar do seu cabelo é descobrir as suas deficiências. Com isso, você pode investir em produtos específicos, que vão devolver às madeixas exatamente o que elas precisam. Mas como descobrir o que o cabelo realmente precisa? Montamos um guia para te ajudar a identificar para tratá-lo da maneira correta.

 

 

Hidratação

Cabelo ressecado, sem brilho e embaraçando muito? Ele precisa de hidratação!

Esta é a etapa que todo cabelo pede, sem exceções. Os fios perdem muita umidade diariamente, por isso, hidratação não tem contraindicação, pode investir sem medo.

 

Para esta etapa, indicamos o Banho de Creme da nossa linha Neutro. Um tratamento hidratante, desenvolvido à  base de proteínas do leite que conferem proteção e maciez aos fios. Ah, além disso, ele também ajuda a realçar o brilho natural do cabelo.

 

Linha Neutro: Banho de Creme – Proteção e Maciez

 

Nutrição

Cabelo com frizz, desalinhado e poroso? Nutrição nele!

Também conhecida como umectação, esta é a etapa que repõe os lipídios, ou seja, a oleosidade natural dos fios. É isso mesmo, todo cabelo possui um grau de oleosidade natural necessária para os fios, que os mantêm saudáveis e alinhados.

 

Para esta etapa, indicamos o Banho de Creme da linha Tutano, que hidrata, nutre, fortalece e protege. Também tem ação emoliente, o que contribui para redução das pontas duplas.

 

Linha Tutano: Banho de Creme – Hidratação fortalecedora

 

 

Reconstrução

Cabelo elástico, ressecado, quebradiço e muito fino? Hora da reconstrução!

 

Cabelos que passam por processos químicos como tintura, descoloração, progressivas etc, costumam ficar com deficiência de queratina, a proteína que compõe 90% dos nossos fios. Então, se o seu cabelo está assim, se joga na reconstrução capilar.

 

Para esta etapa, indicamos a Máscara Capilar da linha Queravit, que resgata a umidade, recondiciona e nutre profundamente os fios.

 

Linha Queravit: Máscara Capilar – Bio Reconstrutora

 

Agora que você já sabe direitinho do que o seu cabelo precisa, é só garantir os produtos certos e mãos à obra! 😊

As energias fluem, qual você quer absorver?

Você acorda, toma um banho com aquele sabonete revitalizante, de aroma cítrico, para animar mesmo. Começa o dia com o pé direito. Sai de casa no pique, sorrindo para quem encontra no elevador, para o porteiro; dá bom dia para o motorista, cobrador, taxista. Tudo lindo e maravilhoso.

 

Resolve até gastar mais no café da manhã parando naquela cafeteria gourmet que abriu na esquina do trabalho. Acontece que na parada encontra aquela conhecida, que morou na mesma rua que você dos 5 aos 18 anos, com uma cara péssima e que já começa a reclamar da vida para você. É o marido que não para em casa, as crianças que tomam todo o tempo dela, o café que nunca entregam da forma correta e até te pergunta como consegue sorrir pela manhã. Okay, se compadece, dá um sorriso amarelo e foca no seu rumo. Porém, com uma ponta de tristeza pela infelicidade matinal tão aguda daquela moça. Vida que segue.

No trabalho você flui que é uma beleza pela manhã. No almoço resolve socializar com a galera e aí que a revitalização do seu banho escoe pelo ralo, LITERALMENTE. A conversa na mesa é simples e puramente sobre notícias tristes e pesadas. Mas não é tipo uma terapia em grupo onde todos falam e todos tentam resolver, ao mesmo tempo, seus problemas. Parece que é uma competição de qual vida está mais difícil, quem está mais ferrado, e quem enfrenta a pior tragédia. É aí que a sua energia, alegria, acaba de ser sugada.

Segundo turno não rende nada, você parada na frente do computador procrastinando e ainda com tudo aquilo rodando na cabeça. A energia esvaiu e você nem consegue entender direito a razão. Poxa! Cadê a alegria da manhã?

Essa história simples pode acontecer todo dia com alguém ao seu lado ou com você. Liga diretamente com o que em disse em um post anterior: a palavra tem poder. Vocês se lembram daquele filme AND livro O Segredo? Na verdade aquele segredo nossas avós sempre souberam né? (rs) Você atrai o que emana e pessoas negativas conseguem “contaminar” quem está na mesma frequência.

É fácil demais você começar um dia bem e acabar com a sensação de que ele durou quinhentas mil horas, de que tem um peso enorme nas costas e o pior: sem entender o motivo. Energias fluem, o sorriso contagia e a infelicidade também. Basta saber em qual frequência você deseja estar.

Uma dica? Quando isso acontecer, ao chegar em casa tome um banho com o sal grosso de lavanda da Bio Extratus que é sucesso! (hahahha olha a loka fazendo product placement) Outra dica? Mesmo que os pensamentos negativos alheios e a falta de otimismo queiram te puxar, foca em si, põe uma playlist delícia no seu fone e se desligue daquele mar de reclamações. Tudo fluirá bem melhor.

 

Ah! Para finalizar, energias positivas também são facilmente trocadas, mas isso, você percebe logo de cara quando “o santo bate”. E quanto mais pensamento positivo, quanto mais otimismo, quanto mais palavras boas proferidas, menos você se contaminará com essa onda negativa que cisma em querer grudar na gente. hahahaha

E vocês? Algum truque para driblar o negativismo e sorrir ao final do dia? AAAHH! Ia esquecendo de mais uma coisa. Antes de dormir não esqueçam de dizer uma palavra maravilhosa: OBRIGADO.

Beijos,
Maraisa Fidelis

Existe muito amor próprio em São Paulo

Esses dias a hashtag do papo sobre autoestima completou 1.000 publicações. Muitas histórias minhas, da Carla, das nossas amigas influenciadoras e das seguidoras do futilidades ilustraram essa coleção de fotos, cada legenda e cada imagem mexeu comigo. Tudo isso aconteceu quando Abril acabou, um mês em que pude viver experiências diferentes com esse projeto que fala sobre se conhecer, se admirar como ser humano e de se sentir naturalmente bonita.

Nesse mês embarquei para São Paulo duas vezes, as duas incluíam novos desafios de trabalho e isso mexe com a autoestima profissional de qualquer mulher, mexeu com a minha também. Senti um carrossel de emoções de ansiedade, insegurança, alegria e realização. Foi desafiador e mágico ao mesmo tempo, fez com que eu me sentisse naturalmente poderosa ao ver tudo que se concretizou nessa cidade que não é a minha.

Em abril a Bio Extratus me levou para dar uma palestra falando do #paposobreautoestima na Hair Brasil e eu tive o prazer de dividir os holofotes com a Karen Porfiro. Juntas falamos de cabelo, autoestima e sobre se sentir bonita e poderosa. Sobre quebrar paradigmas e expressar através das nossas personalidades e nossos cabelos quem nós realmente somos.

Não foi fácil falar em público, ainda mais para um público novo pra mim, mas me motivou a acreditar que posso aprender muito ainda, posso fazer muitas coisas diferentes na minha carreira e dar uma palestra pela primeira vez foi só mais uma dessas coisas que a marca me proporcionou. Não foi fácil, mas foi muito especial ver que existe tanto para se falar sobre esse assunto. Nossos cabelos nos ajudam a sermos quem quisermos ser.

 

 

Uma semana depois, ainda em abril, embarquei novamente para São Paulo, dessa vez para viver a experiência do Piquenique do #paposobreautoestima. O tempo estava feio, fazia em torno de 15ºC no Ibirapuera e nosso encontro de mulheres não se abalou. O calor dos corações e das histórias esquentou e a experiência foi sensacional, mais de 30 mulheres contaram suas histórias com relação a autoestima na maternidade, na imagem, no trabalho, no relacionamento e até mesmo nos seus conflitos internos.

Novamente a Bio Extratus estava junto de uma causa tão cheia de incentivo ao amor próprio, a expansão de consciência e a um novo olhar mais amoroso sobre si mesma. Esse projeto do Futi carrega muitos dos valores da marca e fala da importância de nos sentirmos naturalmente bem com quem somos.

Sempre poderemos mudar a cor do nosso cabelo, o corte ou até mesmo o fio. Sempre poderemos emagrecer ou engordar. Mudar de carreira ou não. Casar, separar ou namorar uma nova pessoa. Sempre poderemos mudar, mas fazer tudo isso fica mais gostoso quando nos sentimos naturalmente bonitas, quando nos sentimos naturalmente felizes com quem somos, por dentro e por fora. Tudo junto em uma unidade de nós mesmas.

A palestra, o piquenique e a hashtag me fizeram ver que tão importante quanto falar sobre a minha história é ouvir a das outras mulheres que vêm se impactando de forma positiva com os valores que nós espalhamos lá e aqui, no Naturalmente Bonita.

 

Transição Capilar, Minha História e a Nossa Revolução.

Olá! Meu nome é Fernanda, mas pode me chamar de Nanda Cury. Sou paulistana, tenho 35 anos, e é com muita alegria que faço esse primeiro post aqui no blog Naturalmente Bonita, para me apresentar a vocês e iniciar a minha coluna sobre beleza consciente e vegana. Estou super feliz com esse espaço e em compor o time, a convite da Bio Extratus.  

Hoje, vou contar um pouco da minha trajetória e sobre como parar de alisar o cabelo e aceitar a minha textura naturalmente crespa e cacheada foi o início de mudanças profundas na minha vida e que hoje dizem muito sobre a pessoa que me tornei. Assumir o cabelo natural, numa época em que todo mundo alisava, me fortaleceu profundamente e foi essencial para a construção da minha da minha autoestima e identidade.

Há dez anos, auge da progressiva, tratamento para cabelos crespos era sinônimo de alisar. Nas prateleiras das lojas de cosméticos não havia produtos para hidratar, nutrir e definir os cabelos crespos e cacheados, faltavam informações, profissionais especializados e representatividade. Mulheres crespas e cacheadas estampando capas de revistas era algo inimaginável e, nem mesmo as publicações focadas em cabelos traziam matérias e dicas para crespos. Se hoje a decisão de passar pela transição capilar é difícil, imaginem no século passado, antes da democratização do acesso à internet e do advento das redes sociais! A gente procurava referências simples como cortes de cabelo nessas revistas dos salões de beleza e era frustrante constatar que não havia sequer um corte para cabelo crespo em meio a todo aquele acervo de imagens. Até mesmo as embalagens dos poucos produtos destinados a cachos, traziam sempre uma modelo loira, de olhos azuis e com cachos feitos com babyliss no rótulo. Eu não conseguia me identificar com nenhum produto por conta disso, não me via representada e sentia que eles não eram feitos para mim.

Passei vinte e seis anos usando o cabelo preso e escondido em rabos de cavalo, tranças e coques. Na família e na escola, eu era a única diferente, com o cabelo crespo “armado”. Minha mãe e irmã tem o cabelo liso e eu sentia que era uma tremenda injustiça ser a única a puxar o cabelo da família do meu pai.

Na infância, foram dias de choro e frustração com “o cabelo ruim, que não tinha jeito”, que era o que eu ouvia na escola. Minha mãe fazia de tudo para cuidar e hidratar os meus cachos, carinhosamente chamados de “juba”. Ela recorreu a todos os recursos disponíveis na época: banho de creme com vitaminas semanal e trinta minutos com touca térmica, hidratação com ingredientes naturais, como abacate, mel, ovo, maizena, vinagre de maçã e azeite são alguns dos ingredientes naturais que me lembro que eram usados para manter os fios mais saudáveis. No entanto, tudo o que eu queria era ter o cabelo liso e comprido, como o das minhas bonecas Barbie:

Quando lançaram o primeiro spray desembaraçante, usei o pote de produto inteiro em um único dia. Meu cabelo parecia um deserto de tão ressecado e embaraçava muito. No dia-a-dia, antes de ir para a escola, eu molhava o cabelo na água fria antes de sair de casa e ao longo do dia. Além disso, passava bastante creme para “baixar o volume” e conseguir o efeito que hoje chamamos de “ativação de cachos”. Como os produtos não eram adequados para essa função (eu misturava máscara de hidratação com gel que prometia “brilho molhado”) e eu exagerava na quantidade, os cremes escorriam na camiseta do uniforme, além de acumularem nos fios, impedindo meu cabelo de respirar. Hoje sei que essa foi a realidade de muitas meninas crespas e cacheadas naquela época e que ser crespa ou cacheada nos anos 80 e 90 era um desafio diário!

Passei a adolescência com o cabelo preso, era super insegura, não me achava bonita e nem tinha autoestima. Quando comecei a trabalhar e ganhar o meu próprio dinheiro, gastava de quatro a cinco horas semanais no salão de beleza, alisando os fios com escova e chapinha e fazendo os melhores tratamentos para o cabelo. Afinal, diante de tantas horas de exposição térmica, se eu não protegesse os fios, a escova não durava e as pontas do cabelo ficavam espigadas. Lembro que chamava os fios mais curtos de “rebeldes” e passava bastante silicone e outros produtos que prometiam “controlar o frizz”.

Ao longo da semana, eu evitava sol, piscina, chuva, vento, sair para dançar ou realizar qualquer atividade que fizesse o meu cabelo enrolar. Ir à praia nem pensar, já que a umidade era a minha maior inimiga. Sei que para a maioria das pessoas que tem cabelo liso isso parece loucura e um grande exagero, mas acreditem, manter o cabelo alisado dá mais trabalho do que cuidar do crespo ou cacheado. Isso sem contar o tanto de dinheiro que a gente gastava!

Já na faculdade, dois episódios de viagem foram bem marcantes. Em um deles, na minha primeira vez fora do Brasil (viajei para a Inglaterra), eu passei dez dias sem lavar o cabelo, porque não tinha encontrado um salão confiável para fazer escova. Esse tipo de serviço costuma ser caríssimo lá fora e não é qualquer profissional que consegue fazer uma escova tão caprichada quanto a que eu estava acostumada aqui no Brasil.

Resolvi que eu mesma iria escovar, com o secador e chapinha que uma amiga gringa emprestou. Eu sabia que tinha muito cabelo e que seria trabalhoso, mas levei quase SEIS horas no processo todo. Isso porque o secador da minha amiga pifou no meio. Acreditam que eu até rezei para ele voltar a funcionar?! (graças a Deus funcionou! rs) Imaginem a cena: você escovou a metade do cabelo e a outra metade ficou crespa.. Nem preciso dizer que entrei em pânico, né?

Outra situação bem marcante foi quando finalmente aceitei o convite para viajar com uma amiga para a praia e ela me fez enxergar que todo esse esforço para manter o cabelo alisado tinha me tornado uma pessoa neurótica. Graças a insistência dela, entrei no mar e molhei o cabelo. Foi uma sensação maravilhosa sentir a água do mar, depois de tantos anos, mas depois veio a insegurança de saber que eu teria de passar o final de semana com o meu cabelo natural, sendo que nem sequer havia levado shampoo, condicionador, leave-in ou secador, afinal eu só lavava o cabelo no salão. Sobrevivi à experiência e acreditem, me diverti mais do que me preocupei e esse foi o primeiro passo para eu me libertar da obrigação de alisar o cabelo para me sentir feliz com a minha aparência.

Em 2008, eu já estava há anos sem relaxamento, escova e chapinha, mas apesar de estar com o cabelo natural, ainda usava sempre preso, pois o volume me incomodava muito. Um dia, fui a um salão, sem planejar muito, e pedi para cortar curto. Dei a sorte de encontrar um cabeleireiro que tinha o cabelo igual ao meu e , pela primeira vez na vida, fiquei satisfeita com o corte. Ao ver o meu cabelo curto, natural e super volumoso fiquei radiante! Me reconheci ao ver a imagem refletida no espelho, me senti maravilhosa e foi como se, a partir daquele momento, toda a experiência negativa associada ao meu cabelo tivesse ido embora com o corte. Eu estava livre! Apesar de eu não ter mais química do relaxamento, hoje considero que aquele dia fiz o meu big chop.

Mesmo estando super satisfeita com a minha aparência, entendi, por meio dos olhares e comentários das pessoas que o meu cabelo era totalmente fora do padrão, já que naquela época, auge da progressiva, as pessoas não estavam acostumadas a ver cabelos como o meu. Sem querer, acabei me tornando uma referência em cabelos crespos, passei a pesquisar e testar produtos e aprendi a estilizar e a criar penteados. Eu era parada na rua, por colegas de trabalho e pessoas que queriam tocar o meu cabelo e perguntavam como eu tive coragem de assumir o cabelo crespo. Também gerava confusão nas pessoas eu ser branca e ter o cabelo tão crespo!

Quando digo que meu cabelo é crespo e que ele não definia sem ativador de cachos, é assim que ele ficava:

Eu estava confusa e intrigada com tanta comoção sobre um simples cabelo e curiosa por todas as reflexões que surgiram a partir do momento em que decidi me aceitar como sou. Foi aí que entendi que não havia representatividade dos cabelos crespos e cacheados na mídia e nem na indústria de cosméticos. As poucas matérias sobre cabelos crespos nas revistas eram sempre negativas “Como domar o seu cabelo crespo e sem vida”, “Como acabar com o frizz”, elas nunca exaltavam a beleza do cabelo natural e sempre colocavam o cabelo crespo um problema que precisava ser resolvido.

A partir dessa constatação, resolvi criar a minha própria narrativa de beleza, para fortalecer e inspirar outras mulheres a se libertarem da obrigação de alisarem os cabelos para se sentirem bonitas. Foi assim que, em 2008, surgiu o Blog das Cabeludas. Comecei a fotografar e entrevistar as poucas mulheres que via na rua, com o cabelo natural. Percebi que todas tinham uma história de aceitação e resistência muito parecida e haviam percorrido um longo caminho até se aceitarem. Minha intenção inicial era publicar aquelas fotos e histórias para que outras mulheres pudessem se reconhecer e se inspirar, criando uma rede de empoderamento.

Ao longo dos anos, o Blog das Cabeludas foi acessado por milhares de mulheres, muitas dizem que amaram ver as suas fotos e histórias publicadas, outras nos contam que o Blog foi fundamental para elas assumirem o cabelo natural. Conforme eu imaginava em 2008, cada mulher que assume o seu cabelo, fortalece todas as outras a sua volta. Em 2015, fizemos a primeira Marcha do Orgulho Crespo, em São Paulo, um movimento que reverberou por todo o país. Mas sobre a Marcha eu conto mais no próximo post.

Aceitar e a amar o meu cabelo foi uma micro revolução e o primeiro passo para construir a minha autoestima. Hoje, fico feliz em ver que nós, crespas e cacheadas, estamos unidas, pautando as revistas, estamos na mídia, somos vistas pela indústria de cosméticos e não aceitamos discriminação. Esta revolução não é mais minha, é do mundo, é linda e crespa!

Por trás de cada cabelo crespo e cacheado há uma história de resistência. Qual é a sua? Compartilhe com a gente, aqui nos comentários!

Gratidão a todas que leram até o fim este longo post e a Bio Extratus pelo espaço!

Beijos, e até o próximo post.