Naturalmente Bonita

Quais Fantasias Não Usar no Carnaval

19.fev.2020

Chegamos no mês do Carnaval e com ele surgem os bloquinhos de rua, trios elétricos ensaios pré-Carnaval e mais um monte de coisas que envolvem estar cheio de glitter curtindo essa época tão gostosa do ano.

via GIPHY

Se você acompanhou minimamente as redes sociais nos últimos anos, já deve ter visto muitas discussões sobre fantasias ofensivas, racistas e homofóbicas no Carnaval e as opiniões sobre o assunto são diversas. Há quem diga que ninguém pode usar mais nada, ou que estamos sendo uma geração chata demais que reclama de tudo, mas hoje eu vou te mostrar que não é frescura e você pode sim curtir o Carnaval sem ofender ninguém. A não ser que você seja preconceituoso demais para isso, né? 

Existem Fantasias Ofensivas?

Por incrível que pareça, sim! Existem fantasias que são muito ofensivas e eu vou explicar os motivos das mais básicas e usadas durante a folia. 

Nega Maluca

O próprio nome da fantasia já diz muito e essa caracterização reforça todos os estereótipos racistas possíveis com relação a mulher negra. O “look” consiste em fazer um Black Face fazendo referência a uma mulher negra, geralmente com roupas curtas e chamativas, corpo também pintado de preto ou com uma segunda pele preta, rosto extremamente caricato dando destaque aos lábios enormes e vermelhos. A própria personificação do racismo e da ridicularização das características negras. 

Se você não sabe de onde veio a ideia de se pintar dessa maneira que chamamos de Black Face, segue um pouco de história:

Reprodução de um poster de um minstrel show em 1900, de William H. West

O Black Face (rosto negro) surgiu a mais ou menos 200 anos e foi criado para ridicularizar pessoas negras nos teatros unicamente para entretenimento de pessoas brancas; ele já foi considerado arte nacional americana, se tornando um gênero de teatro e tendo exibição em horário nobre! Além dos estereótipos na estética, os atores brancos que usavam black face tinham comportamentos exagerados em suas peças teatrais de humor para fazer referência ao comportamento de pessoas negras, além de ridicularizar seus sotaques. 

Cocar Indígena

Há quem diga que usar o cocar indígena é homenagem, mas vamos parar pra pensar, existe algum tipo de preocupação com o genocídio da população indígena ou respeito a eles enquanto povo durante outras épocas do ano? Temos algum tipo de mobilização em massa para o fim do extermínio desse povo? As representações indígenas que ocorrem nesse período sempre estão ligadas a sexualização por conta da nudez ou a ridicularização pela forma como eles falam, então isso está muito longe de ser uma homenagem ou troca de cultura. 

É verdade que no Brasil, praticamente todos tem sangue negro ou indígena, mas isso não significa que automaticamente o racismo que está baseado na estética desses dois povos vai desaparecer. 

Para dar uma explicação sobre o assunto, deixo abaixo o vídeo de Katu, uma mulher indígena que produz conteúdo para a internet e que pode falar com total propriedade sobre isso:

E para finalizar, deixo a opinião de outra indígena, Ka’Ayguá, sobre esse assunto: 

“Eu penso que tudo o que fazem no Carnaval com nossos adereços é uma grande falta de respeito com nossa história e nossa cultura. As pessoas falam que estão nos “homenageando” mas sequer sabe a importância do cocar, grafismo e tudo que tá vestindo. Falam que estão nos homenageado mas segue destilando racismo e nos estereotipando cada vez mais, nos colocando sempre no papel de ser folclórico, que ainda não evoluiu, que ainda anda pelado e não fala português.

De fato tem povos que vivem assim hoje em dia, mas vale lembrar que o povo indígena é diverso e hoje em dia estamos em outros contextos, até por que, 2020 né? Eu fico chocada quando estou em algum lugar e vejo alguém se fantasiando de índio; me sinto desrespeitada! Como se minha cultura e minha história não fosse nada pros não indígenas.”

Transsexuais ou Travestis

Outra coisa que ocorre muito no Carnaval são homens fingindo ser mulheres, imitando gays afeminados e travestis de forma pejorativa. Temos inclusive blocos onde todos os homens usam “roupas de mulher” para entrar na folia. Em contrapartida, vivemos no país que mais mata pessoas LGBTQI+ no mundo. Sendo assim, só é aceitável fingir ser gay para ser motivo de risos no carnaval? E os outros dias do ano? Como fica? 

Eu convidei a Sasha Vilela, que é travesti, publicitária e maravilhosa para falar um pouco sobre o assunto:

“Pra mim é bem contraditório o fato de homens se fantasiarem de mulher no carnaval ou em qualquer oportunidade que surja pra se vestir de algo, e quando isso ocorre a primeira frase que vem da boca dessa galera e EU SOU TRAVESTI, e NÃO pessoal, travesti não e fantasia. Nós estamos falando de mulheres historicamente marginalizadas e que sofrem constantemente por serem quem são. Particularmente acho extremamente ofensivo e com zero tom de homenagem (como já ouvi isso sendo dito, acredita?!) quando isso acontece, pois mostra o quanto nossa classe ainda é vista como marginal, piada, com olhar de deboche por essa galera, não somos fantasias, somos seres humanos e merecemos o máximo respeito por sermos quem somos.”

Tá, então eu não posso me fantasiar de mais nada? 

Pode sim! Existem MUITAS opções de looks e fantasias para o carnaval que inclusive estarão aqui no blog para você curtir essa época linda sem racismo, preconceito ou estereótipos. 

Se quiser conferir alguns looks, clica aqui que Joicy já deixou dicas e fica de olho que vem mais por aí!

Luciellen Assis

Luciellen é baiana, de Feira de Santana. Aborda temas, em seus canais, que variam entre estética e beleza negra, moda, autoestima, empoderamento e relações raciais.

2020: O Ano da Autoestima

8.jan.2020

“Beleza é fruto que brota
da harmonia,
da energia,
da vibração. 

Beleza é fruto do amor próprio. 
Ame sua natureza”

Essas são as frases que estampam a primeira página da agenda 2020 que ganhamos de Bio Extratus. Uma revisitação à campanha Ame Sua Natureza de 2018, a que mais amei desde que comecei a trabalhar com a marca há quase 6 anos. E sabem por quê eu amo tanto? 

Porque construir uma autoestima sólida nos permite amar quem realmente somos, amar nossa natureza.

Desde 2016, quando eu e Joana criamos o Papo Sobre Autoestima, nós ouvimos milhares de mulheres no Brasil e no mundo falando sobre questões relacionadas à essa palavrinha que parece estar em todo lugar nos dias de hoje: autoestima.

Eu creio de verdade que 2020 tem tudo para ser o ano em que a gente se olhe com mais carinho e generosidade e aprendamos a ver o que tem de mais especial dentro de nós. 

Então, queria aproveitar que estamos revisitando a campanha Ame Sua Natureza para dividir algumas coisas que fomos aprendendo ao longo do caminho, para que a gente faça de 2020 o verdadeiro ano da autoestima!

autoestimailustração: @poeticamenteflor

1 – Autoestima não é só o que vemos no espelho

Eu sempre achei que autoestima tinha a ver com a minha relação com meu corpo. E de fato, para muita gente, as principais questões com a própria autoestima vêm daí. Vivemos em uma sociedade onde o corpo das mulheres é sempre comentado, onde a magreza é sinônimo de beleza e sucesso. O problema é que, para chegar nesse corpo ideal, muita gente faz loucuras crente que estará fazendo um bem para a autoestima. Mas de nada adianta milhões de mudanças externas, dietas malucas, remédios, simpatias, etc. se a sua insegurança ou o seu auto valor estiverem balançados. Desse jeito, nenhuma autoestima concreta se constrói.

2 – Comparação é nossa pior inimiga

Sabe aquela influenciadora que você segue no Instagram que está sempre postando corpos perfeitos, lugares maravilhosos, uma família de comercial de margarina e uma vida que você nunca vai ter? Ou sabe aquela sua amiga que é super segura de si, sociável e cheia de amigos que as vezes te deixa intimidada por não ser do mesmo jeito? A verdade é que comparação é a pior inimiga da nossa autoestima justamente porque focamos no que não temos e esquecemos de dar valor para aquilo que só a gente tem.

Lembram do Ame Sua Natureza? Pois é. Ao focarmos naquilo que somos ao invés do que aquilo que as pessoas ao nosso redor são, a gente passa a ver qualidades nossas que são muito únicas e especiais, que não são nem melhores nem piores do que outras. 

3 – Repense o que te influencia

Ainda nessa linha, pare e pense no que você consome. Pergunte-se se te faz verdadeiramente bem. Você segue alguém que está fazendo com que você se compare? Pare de seguir. Nem que seja por um tempo. Você convive com alguém que faz comentários que te fazem mal? Afaste-se se puder. Se não puder, imponha limites claros. Mas não deixe mais que outras pessoas afetem a sua autoestima desse jeito. Combinado?

4 – Fale com você como você falaria com alguém que você ama

Já reparou que a gente dá os melhores conselhos para quem a gente gosta, e quando nos vemos na mesma situação, a gente se cobra de forma cruel? Já aconteceu de você elogiar uma amiga que estava se sentindo insegura com alguma coisa, mas quando se tratou de você, os primeiros pensamentos que apareceram na sua cabeça foram se diminuindo? Isso acontece porque, quando a nossa autoestima está frágil, a gente tende a achar que não somos merecedoras, que não somos suficientes, que não somos adequadas. Mudar esse quadro tem a ver com mudar esse comportamento dentro da gente antes de tudo. 

Toda vez que você perceber que está sendo muito dura consigo, pense: eu falaria desse jeito com alguém que eu amo? Eu daria esse conselho para uma amiga? 

5 – Autoconhecimento é a chave!

Vocês repararam que todas essas coisas que eu falei, e até mesmo a campanha Ame Sua Natureza, chegam em um ponto em comum chamado autoconhecimento? Saber quem nós somos é a chave perfeita para construirmos nossa base de autoconfiança que, por sua vez, vai criando uma autoestima mais sólida. Entender nossos pontos fortes, e fracos também, entender nossos limites, desejos, sonhos, objetivos. Tudo isso faz com que a gente vá criando formas de não permitir que outras pessoas tirem isso da gente.

E é claro que terão dias que estaremos mais fragilizadas, mas tá tudo bem se a gente souber respeitar isso. 

Então, aproveitando que o ano está apenas começando, eu só consigo esperar que em 2020 a gente consiga criar ferramentas mais fortes para amarmos ainda mais a nossa natureza. <3

Carla Paredes

Carioca morando em Nova York, mãe do Arthur e blogueira do Futilidades. Fala principalmente de moda, beleza e autoestima, sempre...

Como Realizar Nossas Metas de 2020?

30.dez.2019

Você é uma dessas pessoas que cria metas para o ano novo? Bom, eu sou. Pra mim o fim de um ano é o encerramento de um ciclo que dá espaço a um novo começo. 2020 está chegando e, com ele, a virada não só de um ano, mas de uma década. Muita coisa para se botar na balança, eu sei, mas não é sobre isso que vim aqui falar. 

metas ano novo

Hoje quero falar com metas frustradas. Sabe? Aquelas que a gente faz todo ano, mas conseguimos cumpri-las apenas nos 2 primeiros meses? 

Pois bem, vim aqui lembrar que a vida é um eterno meme de “expectativa x realidade”.

Por isso acredito que, antes de tudo, é fundamental ajustarmos expectativas. Para começar, ninguém consegue mudar em apenas 12 meses padrões de comportamento que estão aí há décadas. Mas podemos criar métodos pra tentar chegar lá. 

Então, para 2020, eu queria trazer a possibilidade de pensarmos em metas mais realistas. Buscando transformações de uma maneira sustentável, que a gente consiga levar pra nossa vida sem muito sofrimento. Criando novos hábitos cada vez mais condizentes com a vida que queremos viver. 

Que tal aproveitarmos a chegada de 2020 para lançarmos um novo olhar sobre antigas metas?

Por exemplo, se sua meta for emagrecer.

Você já pensou em fazer isso de uma maneira menos cruel ou sofrida? Talvez você leve mais tempo, mas se seu plano for sustentável (ou seja, fácil de você sustentar vivê-lo por mais tempo) você terá mais chances de êxito.

Num mundo onde a culpa engorda e a ditadura da magreza nos adoece mental e emocionalmente, acho que quem deseja realmente emagrecer pode ajustar o “como fazer isso” na meta. Ao invés de perder muitos quilos em pouco tempo, pode ser possível procurar ajuda e conquistar uma mudança alimentar. Fazendo transformações viáveis, que não levem a sofrimento ou culpa e não te deixe constantemente com vontade de furar a dieta. 

No meu caso, aprendi a mudar meu olhar com uma nutricionista especializada em comportamento alimentar. Nos preocupamos menos com o que eu como, mas analisamos demais o porquê eu como. Estudando e aprendendo sobre a forma como me relaciono com a comida, tenho visto minha vida mudar. Talvez essa seja uma forma de sustentar. 

Se sua meta de 2020 é fazer mais exercício, o raciocínio da consciência é o mesmo.

Entender a razão que nos faz parar pode ser mais importante do que qual nova atividade nos faz parar. 

Ao invés de pensar quais são os exercícios da moda, que queimam mais calorias ou que rendem boas fotos no Instagram, você já pensou em se exercitar por prazer? Essa é a fórmula mágica de toda pessoa que se mantém fisicamente ativa NO LONGO PRAZO. Para alguns o prazer vem depois do exercício. Para outros é preciso ter o prazer durante. Nesses casos, buscar algo que mexa com sua alegria, lúdico ou consciência corporal pode ajudar.

Não busque o exercício perfeito da teoria que você criou, procure aquele que pode ser feito na vida que você vive hoje! Não importa se você quer emagrecer ou não, tampouco a forma do seu corpo, mas combater o sedentarismo dentro de nós é uma questão de saúde. 

Pra mim por exemplo, dança e yoga são práticas que me trazem alegria e conquistas sustentáveis. Então na minha lista de metas para 2020 não estará crossfit, por exemplo. Pretendo investir um tempo em mim, fazendo atividades que me ajudarão na saúde mental, no controle do estresse e na consciência corporal.

Pensar em malhar de maneira tradicional 5 vezes na semana me paralisa. Mas buscar atividades que me darão vários outros ganhos, não. O que importa é fazer. Não fazer perfeito. E a frequência é algo para entrar nesse mesmo raciocínio. Comece com compromissos pequenos do tipo 150 minutos de qualquer atividade física por semana e fique à vontade para dividir esse tempo na sua agenda com o que achar mais agradável. Te garanto que assim fica mais fácil começar.

O problema não está na meta.

A altura do campeonato, você já se deu conta de que eu não irei apresentar uma fórmula mágica para nossas resoluções de 2020, não é mesmo? Meu objetivo com esse texto é outro, é nos fazer pensar. 

Um olhar mais consciente sobre as razões pelas quais não alcançamos todas as nossas metas pode ajudar no processo de mudarmos de vez. O autoconhecimento nos faz mais autorresponsáveis pelas nossas escolhas, trazendo pra gente um entendimento maior do porquê somos tantas vezes nossas maiores auto sabotadoras. 

 Por exemplo, se sua meta é gastar menos dinheiro, entender o motivo pelo qual você compra muito ou desperdiça pode ser um caminho pra organizar um novo método para poupar. 

metas ano novo

Todo mundo que conheço que atingiu grandes feitos, fez muitas pequenas coisas antes. Todo processo se dá durante a jornada e não só no resultado final. Sonhos sustentáveis são aqueles que fazemos viáveis. 

Mas não se iluda. O autoconhecimento não vem pra gente justificar o que não dá certo, por mais que isso seja uma consequência natural do processo. Ele chega pra gente olhar pra dentro de nós o que podemos de verdade mudar pra podermos transformar nosso novo ano em metas que VAMOS realizar. Não importa se seja 2020, 2021 ou o ano que seja.

E aí? Quais são as suas metas para 2020? Feliz ano novo! 

Joana Cannabrava

Carioca solteira no Rio de Janeiro, libriana, viciada em produtos de cabelo, e blogueira do Futilidades. Fala principalmente de r...

Para Refletir – Dia da Consciência Negra

20.nov.2019

Estamos no mês da Consciência Negra, mais especificamente no dia da Consciência Negra e geralmente o ciclo dos acontecimentos nesse período é muito parecido: as pessoas lembram que nós (negros) existimos.

consciência negra

Acredito que você saiba o que é o Dia da Consciência Negra, então não vejo a necessidade de explicá-lo aqui. Sendo assim, escrevo esse texto como forma de reflexão em especial para as pessoas não negras.

No universo das blogueiras, esse é o período em que mais temos trabalhos, que mais somos marcadas em conteúdos sobre negritude, muitas palestras para dar. Somos disputadas de fato. Mas aí me recordo que nos outros meses não é tão assim, quando no universo de blogueiras brancas isso acontece o ano inteiro e aí vem aquela pergunta:

Porque ainda existem pessoas que se incomodam com a nossa presença se ela ainda nem é proporcional à presença branca no geral?

Eu, enquanto pessoa negra, precisei conviver com o racismo e a estranheza por conta de minha presença durante minha vida inteira e isso não mudou. Na verdade acredito que infelizmente tem ficado mais escancarado com o passar do tempo.

Vivemos em um país onde todo mundo conhece algum racista, mas ninguém se assume racista. Sendo assim, temos um crime (por que racismo é crime) com autor invisível e é aí que está a dificuldade para conseguirmos resolver esse problema.

Você pessoa branca, já parou para pensar se é racista ou não?

Já se viu julgando alguém pela cor da pele?

Já estranhou a presença de um negro em locais de elite?

Confundiu uma pessoa negra com funcionário de algum estabelecimento em que você estava indo comprar algo?

Quantos negros estão ao ser redor curtindo e não servindo a você e sua família?

Esses são alguns questionamentos que devem ser feitos internamente, todos os dias, para que você consiga entender se reproduz ou não o racismo e a partir disso se envergonhe.

O maior problema para resolvermos o racismo é achar que ele é problema dos negros. Mas não, ele é problema de todo mundo e principalmente dos brancos porque você enquanto pessoa branca  pode não ter escravizado ninguém (obviamente), mas recebe os benefícios desse sistema racista da mesma forma como eu e toda a população negra recebe os malefícios disso.

Ninguém tem culpa, mas tem a responsabilidade de se movimentar em busca de mudanças na sociedade. 

Sendo assim, a melhor maneira de mudar isso é entender seu racismo, assumí-lo, não se orgulhar disso e buscar gerar mudanças em si e no meio em que vive para que dessa maneira a melhoria seja coletiva porque o racismo é problema de todo mundo.

A @soutipo4 criou um conteúdo que ajuda a mostrar como esse racismo está enraizado na nossa sociedade e cabe a TODOS nós mudarmos isso. Comece refletindo e compartilhando com as pessoas mais próximas. Pratique você também!

Luciellen Assis

Luciellen é baiana, de Feira de Santana. Aborda temas, em seus canais, que variam entre estética e beleza negra, moda, autoestima, empoderamento e relações raciais.

Existe Cabelo Bom?

26.set.2019

Oi, meus amores! Tudo bom com vocês!? A historinha de hoje tem a ver com cultura, com reprodução e com racismo também. Alguma vez você já ouviu o termo “cabelo bom”? Provavelmente várias, certo!? Talvez algumas até tenham saído da sua própria boca.

MAS CALMA AÍ, então quer dizer que você é racista?? 😨

Se você não tem o cabelo crespo, o termo “cabelo bom” pode ser só mais uma forma “descontraída” de dizer que o seu cabelo não está do jeito que você gostaria, então a minha intenção agora é te fazer considerar esse texto uma oportunidade de furar a sua bolha e entender o quão problemático é continuar repetindo isso.

Cabelo bom?

Vivemos e somos ensinados diversos conceitos a partir de uma cultura racista que nos mostra desde muito cedo o que seria o bonito ou feio, certo ou errado, bom ou ruim. É uma cultura que está além da nossa individualidade e que nos transforma em sujeitos reprodutores de ideologias discriminatórias e de fato violentas, quando talvez sequer percebemos.

Eu, enquanto mulher negra e crespa, anos atrás, distante de toda a consciência racial que construi até hoje, consigo lembrar de inúmeras situações em que assumi o meu cabelo como “ruim”, por exemplo. E por isso é importante que discutamos e ouçamos cada vez mais sobre pessoas com as mesmas vivências que as nossas, mas principalmente com realidades distintas (lembra do nosso trato de furar a bolha?).

A imposição do padrão da beleza branca-magra-lisa-loira-europeia é uma violência não só simbólica que atinge a mulher negra em sua construção pessoal de forma física mesmo. Principalmente, até pouco tempo atrás, quando se falava muito pouco sobre o cuidado consigo e o respeito à sua identidade seja ela qual for, os métodos de alisamento para cabelo eram ainda mais fortes, como o caso do alisamento através do pente quente, que consiste no uso periódico de um pente esquentado diretamente no fogo e passado no cabelo. Sim! Isso era muitíssimo comum.

A ideia de tentar embranquecer uma sociedade por completo, partindo do pressuposto que o negro seria algo ruim, assim como o seu cabelo, leva essa cultura racista a promover e estimular uma violência no discurso capaz de deixar marcas físicas e psicológicas.

Entendeu onde mora o perigo!?

A estrutura natural do cabelo crespo não necessariamente tem definição. O cabelo crespo não reflete à luz da mesma forma que um fio liso. O cabelo crespo geralmente é volumoso. Definição não é sinônimo de hidratação. Ter o cabelo naturalmente crespo não é usar um acessório estiloso.

Ser mulher negra não é ter beleza exótica E MEU CABELO NÃO É RUIM!

É muita análise no nosso próprio discurso, disposição para ouvir e aprender, disposição para se propor a um processo minucioso de desconstrução até entender que você provavelmente já reproduziu termos racistas em seu cotidiano. Se você está pensando “NOSSA! Quanta coisa eu preciso fazer para que minhas palavras não acabem machucando ninguém”, pensa então como é estar do outro lado e pensar “NOSSA! Quanta coisa eu preciso fazer para que o que as pessoas dizem sobre o meu eu não acabe tirando a minha sanidade e apagando a minha identidade”.

Mas agora uma ótima notícia: AINDA DÁ TEMPO DE MUDAR!!

Começar de agora, que tal? Cabelo ruim a gente já entendeu que não existe, é uma fala que você não precisa reproduzir, mas existem muitas outras.

Romper com o discurso racista é se mostrar consciente da violência exercida por ele e não ser conivente com essa postura. É ser aliado na luta anti-racista.

Joicy Eleiny

Joicy Eleiny, pernambucana nascida no interior e morando na capital. 21 anos, mulher negra, crespa e LGBT compartilhando empoderamento e provocando discussões acerca de suas lutas principalmente atra...

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