Naturalmente Bonita

Mulheres Negras e a Indústria da Beleza

20.nov.2020

Carla Sidonio, Maju Silva, Luany Cristina, Jacy July, Thamires Rangel, Irlane Tavares, Camila Nunes, Daniele da Mata, Roberta Freitas, Preta Araujo. Quantos desses nomes você conhece e o que eles representam para você? Todas essas são mulheres negras existindo em resistência e falando sobre beleza na internet.

Antes de começarmos, é importante deixar fixado que esse não é um texto para te contar sobre o que é ser mulher negra, é um texto para te fazer pensar onde elas estão.

Mulheres negras e o mercado da beleza

Assim como a moda, a beleza é uma forma de expressão que aponta para diversas narrativas sobre si, que pode falar sobre autocuidado, autoimagem, autoestima, libertação artística, movimentação cultural, afeto, identidade, ancestralidade e, com toda certeza, comunicação.

Talvez o seu cérebro tenha te levado a partir desse momento direto para uma série de lembranças que têm relação com a sua perspectiva do que é beleza e tudo que você já viveu relacionado a esse universo. Mas agora eu quero que você pense em todos os níveis de manifestação da beleza, até mesmo as que você não tem contato, como as rotinas de skincare das asiáticas ou o reflexo da relação com a natureza para as indígenas.

Percebe como todas essas referências são válidas ainda que não sejam suas, como todas elas podem ser traduzidas no que é beleza a partir de uma bagagem que é particular?

A indústria da beleza é uma das grandes responsáveis pela valorização de determinadas estéticas em detrimento de outras, é uma via de mão dupla, capaz de representar a singularidade do significado das trança nagô para a mulher negra ao mesmo tempo que pode criar uma cultura opressora que estimula o distanciamento do cabelo natural como forma de apagamento histórico.

E apesar de grande e financeiramente ininterrupta, ela é alimentada por você! Por mim, pelos nossos desejos genuínos e pelos desejos que achamos que devemos ter, porque ela cria em nós. A indústria da beleza passa pelas nossas mãos e muitas vezes também nos acorrenta.

Então ela é uma vilã? Certo? Nem tanto. Assim como diversas outras estruturas, ela é abastecida por uma lógica racista de produção, mas que pode ser impactada fortemente pelo seu impulso de ser quem você é, de cultuar suas origens e valorizar o que faz sentido para você.

A mesma indústria que por muito tempo vendeu pentes quentes, hoje também vende produtos desenvolvidos para cuidar do nosso crespo e isso pode representar revolução se te fizer livre.

Porque falar disso no mês da consciência negra?

No começo desse texto eu te entreguei 10 nomes, 10 criadoras de conteúdo que estão além do passo a passo, 10 mulheres que sabem o que é ser mulher preta e como é ser ignorada por uma indústria que ainda dita como muitas de nós nos vemos. Eu te entreguei 10 indicações, para que você fure a bolha da “Beleza Padrão”, extremamente moldada a partir de pressupostos europeus, racista e opressora, que silencia a produção de mulheres que trazem consigo a história de um povo rico, poderoso e BELO.

Consumir o conteúdo de mulheres pretas falando de maquiagem, cabelos, cuidados com a pele e tantos outros desdobramentos, respeitando a sua essência, é também acreditar e impulsionar essa construção da beleza enquanto única e não massiva, enquanto original e não forçada. É empurrar, nem que seja um pouquinho de cada vez, a roda do mercado que gira em função do que investimos.

Lembre-se que investir transforma e quando falamos de investimento não existe unicamente a moeda do dinheiro em jogo, mas a do tempo também. Lembre-se que investir amplia e lembre-se de investir em mulheres pretas.

Joicy Eleiny

Joicy Eleiny, pernambucana nascida no interior e morando na capital. 21 anos, mulher negra, crespa e LGBT compartilhando empoderamento e provocando discussões acerca de suas lutas principalmente atra...

Negras Podem Alisar o Cabelo?

18.nov.2020

Esse assunto ainda é polêmico! Não deveria ser pois estamos em 2020 e deveríamos ter liberdade capilar! Mas bora falar sobre negras que alisam o seus fios.

Essa postagem é mais um ponto de vista de uma Mulher Negra, no caso eu, que desde muito cedo mantenho os cabelos lisos.

Queria começar falando  um pouco da minha infância

Desde muito nova minha mãe alisava meu cabelo (quem já ouviu falar em pente quente?). Não acho que foi por dificuldade em arrumar já que meu cabelo sempre foi mais cacheado do que crespo. O que fazia que muitas mães usassem o ferro quente pra deixar os fios lisos, sendo assim “mais aceitável” também para a sociedade.

Não tenho lembranças de ter sido hostilizada na escola por causa do cabelo quando criança, mas lembro da dor ao ser submetida ao ferro quente. Minha mãe conta que eu pedia pra ela me levar no salão pra alisar, então ela levava.

Como eu disse, não tenho muitas lembranças dessa época até chegar na idade dos 15 anos mais ou menos. Nessa época eu estudava em uma escola onde era praticamente a única menina negra. Foi uma das épocas mais traumatizantes da minha vida capilar.

Eu vivia de cabelo molhado, eu queria abaixar os fios a qualquer custo, tentar ser mais próxima possível das outras meninas que usavam seus cabelos lisos naturais.

“Uma pena eu não ter percebido na época como eu tinha cabelos lindos.”

Lembro de lavar os cabelos apenas com condicionador pra ele não “armar” porque sempre que lavava eu percebia que o cabelo mudava e ficava mais armado. Eu não tinha noção nenhuma de como arrumar meus cachos. Nessa época meu cabelo começou a cheirar muito mal. Era realmente um cheiro de cabelo podre. 🙁

Eu molhava tanto, o tempo todo e vivia com ele preso, então imaginem que tristeza.  Foram anos e anos assim… Nunca esqueço a primeira vez que pedi pra minha mãe um “relaxamento”. Fiz, e meus cabelos caiam demais. Ficou ainda pior! Com o tempo aprendi a lavar corretamente. Com 16 anos fiz minha primeira escova no salão.

Outra experiência péssima. Lembro que a cabelereira mal escovou meu cabelo, e eu fui trabalhar, chegando no trabalho ao passar por um espelho meu cabelo estava todo destruído, espigado, armado, um verdadeiro horror.

E quando comecei o alisamento?

Depois disso comecei com os alisamentos frequentes, eram os relaxamentos. Aprendi a cuidar e lavar o cabelo corretamente. Então sempre fui muito ligada a assuntos capilares.

Por várias vezes durante toda a vida apenas por pressão de algumas pessoas eu tentei deixar meu cabelo cacheado naturalmente. Sendo muito sincera eu amo modelar meu cabelo. Eu já fui muito escrava da chapinha, deixava de sair se não estivesse com os cabelos alisados.

Qual a minha relação hoje com meu cabelo?

Hoje eu sou 100% desencanada em relação ao “cabelo arrumado”, porque questiono essa ideia de que cabelo arrumado tem que ser liso? Esse pensamento com certeza é muito antigo, afinal nós negras sempre tivemos cabelos considerados “feios, difíceis, desarrumados” então provavelmente pelo menos uma vez durante a vida várias mulheres negras já pensaram em alisar. Seja pra ser aceita naquela roda de amigas, conquistar um menino, estar mais perto do padrão.

Hoje as coisas mudaram muito, e temos tantas inspirações de mulheres maravilhosas com seus cabelos crespos, cacheados, ondulados, cachos abertos, cachos fechados, finalizados, sem finalização. Hoje as mulheres tem também muitos produtos no mercado pra cuidar dos seus cabelos afro. Cerca de 10 anos atrás ou até menos, a maioria era imensamente induzida a alisar ou relaxar, infelizmente.

Conversando com minhas leitoras negras lá no Instagram, 90% delas acham que o que vale é a liberdade de usar o cabelo da forma que queremos.

O restante delas questionam coisas do tipo: alisamos o cabelo porque gostamos ou por pressão? Pressão estética tá ai e todas nós mulheres sofremos com isso, e mulheres negras são frequentemente questionadas sobre ter ou não seus cabelos naturais.

Acho que o mais importante em todo esse contexto é realmente a LIBERDADE de usar o cabelo que te faz feliz!

Afinal não podemos levar para nenhum extremo. RESPEITAR a liberdade de escolha. Nenhuma pessoa negra deixará de ser negra apenas por alisar seus cabelos. Nossa luta vai muito além disso. Claro que todas nós podemos ter opiniões diferentes, mas o respeito da liberdade vem em primeiro lugar.

Por enquanto eu gosto de manter meus cabelos escovados, faz 2 anos que não uso nenhuma química nos fios e estou mantendo ele natural quando tenho vontade e escovado a maior parte do tempo, pois pra mim acho mais prático e me sinto bem assim.

E você que leu até aqui? Qual sua opinião sobre tudo isso? Comenta aqui pra gente conversar ♥

“Meu cabelo escovado”

“Meu cabelo Natural”

Consigo me amar das duas formas e isso é o mais importante sempre ♥

Beijos e até o próximo post.

Mel Soares

GirlBoss •Fashion•BodyPositive

Você é do Clube da Insônia?

19.ago.2020

Oi gente, tudo bem por aí? Espero que sim! Hoje quero falar com vocês estão encontrando dificuldades pra dormir, assim como eu. Está difícil por aí agora ou sempre foi complicado ter uma boa noite de sono? Compartilha comigo se você faz parte do Clube da Insônia também!

                                        

 

Acho que desde que entramos nesse período de quarentena as coisas mudaram pra todos, certo? Nossas rotinas foram alteradas e com tantas mudanças o sono com certeza foi prejudicado para a maioria das pessoas.

Eu estava há meses dormindo muito mal, com poucas horas de descanso e isso, claro, afetou meu rendimento que começou a cair, afinal quem consegue produzir bem sem dormir direito?

Causas da insônia

Uma das maiores causas da insônia é o stress, a gente vai acumulando vários problemas na cabeça durante o dia e quando chega a noite nada de desligar. Ao deitar na cama parece que os problemas ficam ainda maiores tirando totalmente nossa vontade de desligar (como se a gente pudesse resolver todos os problemas antes de dormir).

Outro fator ainda mais comum é o uso de celular na cama, esse provavelmente é o maior dos vilões pra quem já está enfrentando a insônia. Ficamos ali quietinhos vendo só mais um vídeozinho e quando nos damos conta já se passaram horas. Nisso perdemos boa parte da noite, causando ainda mais preocupação com o horário de acordar. A qualidade do sono fica comprometida e as poucas horas de descanso acabam não sendo suficientes.

COMO A INSÔNIA PODE ALTERAR SEU DIA A DIA

Além do comprometimento das nossas funções com certeza ficar sem dormir ou se privar de muitas horas de sono vai nos deixar com irritabilidade, cansaço, falta de concentração e vários outros sintomas.

         

ALGUMAS DICAS PODEM TE AJUDAR A COMBATER A INSÔNIA

FAZER COISAS RELAXANTES A NOITE: você pode ler um livro, tomar um banho relaxante umas duas horas antes de ir pra cama, pintar, bordar, ouvir músicas relaxantes, pense em coisas que possam te acalmar.

MELHORAR O AMBIENTE EM QUE DORME: essa é uma das minhas favoritas, acontece que somos muito visuais. Criar um ambiente aconchegante pra dormir ajuda muito, procure usar roupas de cama sempre limpas e cheirosas. Evite barulhos, tv no quarto não ajuda. Use pequenas lâmpadas para deixar o ambiente mais aconchegante. Quanto mais silencioso e escurinho será melhor para dormir.

CHEIROS QUE ACALMAM: comigo funciona, o óleo de lavanda é um super aliado. Aplico nas solas dos pés antes de dormir. Além disso uso os hidratantes da Linha Botica Lavanda que também tem um cheirinho super leve e acalma demais. Aquele autocuidado de fazer uma leve massagem ajuda demais .

COMER ALIMENTOS LEVES E EVITAR BEBIDAS ALCOÓLICAS A NOITE: no primeiro momento a bebida alcoólica pode parecer sedativa, porém em algumas pessoas pode causar agitação e consequentemente perda do sono. Alguns alimentos também podem atrapalhar na hora de dormir. O ideal é evitar alimentos pesados e procurar consumir sempre alimentos leves. Um bom chá também pode ajudar.

EVITE EXERCÍCIOS DURANTE A NOITE: o ideal é sempre se exercitar no período da manhã ou a tarde.

DETECTAR A CAUSA DA INSÔNIA: isso pode ajudar muito a resolver o problema, assim você pode buscar ajuda mais rapidamente. No meu caso o problema começou devido a um assalto que sofri. Eu percebi que tinha medo de dormir, passava as noites acordada e só conseguia desligar quando estava amanhecendo. Durou um bom tempo mas consegui ir aplicando várias dessas dicas pra me livrar de vez da insônia.

 

LEMBRE-SE: se você está com insônia por mais de duas semanas seguidas deve procurar ajuda médica pois o problema pode virar algo crônico. É importante sempre que a gente procure resolver o problema, mas se persistir a ajuda médica sempre será essencial.

 

Espero que algumas dessas dicas possa te ajudar. Comenta aqui pra gente conversar mais sobre insônia. Trocar experiências sempre ajuda.

Obrigada pro ler até aqui.

Beijão

Mel♥

Mel Soares

GirlBoss •Fashion•BodyPositive

Combatendo o Racismo – Perfis Para Seguir

20.jul.2020

Combater o racismo não é apenas postar tela preta e se dizer antirracista. É sempre bom se questionar: o que estou fazendo para que isso mude? Como posso desconstruir o pensamento tão enraizado e contribuir para uma sociedade mas igualitária?

Por isso mesmo que não se trata de um dia! E sim uma mudança de pensamento, comportamento e atitude TODOS OS DIAS. Sendo assim, hoje venho te perguntar: Quantos perfis de influenciadoras, profissionais, pessoas negras você segue? Já parou para olhar o seu feed?

Não se sinta mal ao perceber que a grande maioria das fotos que você vê ao descer seu Instagram é de pessoas brancas. Isso porque vivemos numa sociedade que nos apresenta isso: ideal de beleza branco. Propagandas, famílias felizes, pessoas bem sucedidas… todas brancas! E como gosto é social e culturalmente formado, nós replicamos isso em nossas vidas. Mas, sempre é tempo de mudar! Então vem comigo conhecer mulheres negras para seguir!

É claro que eu começo mencionando as embaixadoras da Bio né? Joicy Eleiny, Luciellen Assis, Mel Soares, Karen Porfiro e euzinha! hahaha Não vou me estender muito porque já estamos por aqui todos os meses com posts e dicas.

Karla Lopes fala sobre beleza e também processos holísticos. Com uma vibe gostosa de acompanhar, imagens incríveis e reconfortantes, ela nos mostra como conseguir um pouco de paz no meio desta doidera toda que é a vida.

Rita Carreira modelo plus size e comunicadora que me ensina a cada dia. recentemente fez um take over no Instagram da revista Vogue o que é um marco! Numa revista totalmente elitista uma mulher negra e gorda ter voz? É pra aplaudir Rita de pé e seguir correndo esta maravilhosa.

Gessica Justino conheci num evento e me encantei! Não, ela não vive do seu Instagram, é criativa na Vice. Mas acompanhá-la é tão gostoso e enriquecedor! Suas falas me fazem pensar e refletir; seus looks são inspiradores; seu cachorro, o Maioral, é um amor que a gente quer morder. Sério, não fico um dia sem ver os stories de menina Gessica. Essa carioca que vive em terras paulistanas.

Mãe da Afra é o insta da Naise, onde ela fala sobre ser mãe e sobre sua filha que eu quero esmagar: Afra. Naise é química, professora de uma universidade e mora no Piauí. Amo seguir porque o humor dela é MARAVILHOSO! E ainda aprendo um monte sobre produtos e sobre como é cuidar de um cabelo infantil. Lembrando que Naise não vive do Insta não! Ela só compartilha as coisas que faz quando tem vontade. 

Alessandra Eduardo escreve no insta Descobrindo a História Preta. Conheci faz um tempo e me encantei com tudo que ela publica lá. Educadora e Cientista Social, Alessandra faz posts incrivelmente ricos onde explica diversas questões da negritude. Questões históricas que interferem diretamente no que ocorre hoje em dia. Uma aula!

Inah tem um insta tão lindo e gostoso de ver que eu passaria horas naquelas imagens. Inspiracional, ela compartilha seu estilo de vida e um pouco de seus looks, lindíssimos que eu adoro admirar. 

Daniele da Mata é a maquiadora por de trás do Damata Makeup. Focada em pele negra, Dani criou o primeiro curso itinerante do Brasil para pele negra. Em um mercado onde praticamente não existe mulheres negras, ela desbrava o caminho (lutando contra toda a estrutura) e é uma referência sempre quando o assunto é make + pele negra.

Bruna Olliveira é estudante de direito e compartilha um pouco de sua vida nas redes sociais. Permeia por todos os assuntos que você possa imaginar (desde beleza até viagens e racismo) e suas fotos dão gosto de ver! Sempre lindamente produzidas!

Uou! Foram diversas sugestões compartilhadas! Vocês tem mais nomes para adicionar na lista? Deixa nos comentários para todo mundo conhecer e seguir! 

Nos vemos no próximo post!

Maraisa Fidelis

Paulistana de 28 anos completamente apaixonada pela família. Formada em marketing mas escolheu trabalhar com beleza, que é o que lhe encanta. Fala feito louca, ri descontroladamente e quer apenas aj...

Livros, Séries e Filmes para Entender o Racismo

10.jul.2020

Muito se tem falado sobre questões raciais ultimamente por conta dos atos em protesto pela morte de pessoas pretas tanto aqui no Brasil quanto no mundo. É triste que a causa racial esteja em alta porque um menino de 14 anos foi morto em casa (matéria aqui), e um homem negro foi morto asfixiado por policiais nos EUA (matéria aqui) e esses dois casos tiveram proporções internacionais, mas já que estão procurando estudar sobre isso é importante ir nas fontes certas e por isso trouxe alguns livros, filmes e séries para entender o racismo e principalmente para que entendendo, você o identifique em seu dia a dia e lute contra ele. 

Uma coisa muito importante antes de deixar a lista aqui é que se você é uma pessoa branca, saiba que o racismo é responsabilidade sua e não exclusivamente do negro. Aliás, quem deveria estar lutando contra ele todos os dias é você! Da mesma forma que pessoas negras sofrem as consequências da construção social baseada em privilegiar pessoas brancas, você, pessoa branca recebe os benefícios desse sistema e se de fato deseja um mundo igualitário e com equidade, é seu papel lutar pra que isso mude, então estude e faça sua parte porque precisamos ser antirracistas pra ontem

Livros para Entender o Racismo

O que é Lugar de Fala? – Djamila Ribeiro

Esse é um ótimo livro para começar a entender como pessoas não-negras podem contribuir na causa. A autora Djamila Ribeiro criou a coleção Feminismos Plurais que tem vários autores negros e aborda temas sobre feminismo e relações raciais de forma bem simples. Recomendo a coleção inteira!

O termo “lugar de fala” tem sido de forma errada nos últimos anos justamente porque as pessoas acham que é sobre poder falar ou não, e na verdade ele é sobre como e para quem falar. 

Interseccionalidade – Carla Akotirene

Fazendo parte da coleção Feminismos Plurais, o livro Interseccionalidade explica sobre as diferentes formas de opressão de acordo com o recorte racial e social que fazemos dentro do feminismo. O assunto se estende também para a importância de racializar não só o feminismo mas todo tipo de relações sociais.

Apropriação Cultural – Rodney William

Esse tema é muito falado nos últimos anos e pra mim esse foi o conteúdo mais didático para conseguir entender como a Apropriação Cultural funciona. 

Racismo Estrutural – Silvio Almeida

Esse livro é perfeito para entender porque nós costumamos falar que todo mundo é racista. Essa fala não se refere a você particularmente, mas a construção social em que estamos inseridos e por isso é importante entender o que é racismo estrutural para estarmos atentos e não reproduzirmos determinados conceitos racistas.

Um Defeito de Cor – Ana Maria Gonçalves

Meu livro favorito, com quase mil páginas que conta a história de Kehinde, uma mulher escravizada que está a procura de seu filho que foi vendido. A história é pesada, retrata rebeliões, luta por liberdade, tortura contra escravizados e todos os horrores de um período não muito distante aqui no Brasil. 

É importante lembrar sempre da parte cruel da história para que ela não se repita. 

E Eu Não Sou Uma Mulher? – Bell Hooks

O livro tem o título de um famoso discurso de Sojourner Truth que abre um leque de ideias e conceitos sobre as diferenças entre o feminismo branco e o negro. 

Heroínas Negras Brasileiras em 15 Cordéis – Jarid Arraes

Uma leitura simples, massa pra adolescentes e se você é professor, é um ótimo livro para inserir em sala de aula. Quando falamos de pautas raciais, sempre lembramos de quem é de fora, mas é bom saber quem são nossas referências nacionais no combate ao racismo. 

O Genocídio do Negro Brasileiro – Abdias Nacimento

Perfeito para entender o contexto atual do racismo e o genocídio que acontece sistematicamente, inclusive agora, enquanto você lê esse post. 

Pele Negra, Máscaras Brancas – Frantz Fanon

Existe uma Luciellen antes e depois de ler esse livro. Ele mudou completamente a forma como vejo a mim enquanto pessoa preta e principalmente como vejo outras pessoas pretas. Recomendo principalmente pra a galera ler, mas é bom pra todo mundo.

Filmes e Séries com Temática Racial

Documentário – Guerras do Brasil

Esse documentário é muito bom pra entender o processo de colonização do Brasil e as consequências dele nos dias de hoje.

Filme – Django Livre

Esse filme é bem antigo, mas muito atual ao mesmo tempo. 

Com direção de Quentin Tarantino, conta a história de um ex-escravo Django que sai com um caçador de recompensas para caçar os criminosos mais procurados do país e resgatar sua esposa de um fazendeiro. 

Minissérie – Olhos que Condenam

Apesar de ser curtinha, demorei pra terminar porque é muito pesada e atual. 

Baseada em fatos reais, a série conta a história de 5 jovens negros que foram condenados pelo estupro de uma mulher branca com quem nenhum deles teve contato. 

Filme – O Ódio que Você Semeia

Esse filme conta a história de uma moça negra que vê seu amigo também negro ser morto injustamente em um operação policial. A história do filme lembra muitos casos onde jovens negros são mortos pela polícia no Brasil e no mundo por automaticamente serem vistos como suspeitos. 

Minissérie – A Vida e a História de Madam C.J Walker 

Madam C.J foi uma empreendedora americana, filantropa e ativista política e social. Ela é registrada como a primeira mulher negra que se tornou milionária nos Estados Unidos. 

Filme – Tempo de Matar

Uma menina negra é brutalmente estuprada por homens brancos e o pai da menina, um homem negro, está sendo julgado pelo assassinato dos estupradores. O desenrolar do filme é muito bem feito e nos coloca pra refletir do início ao fim. 

 

Esses são os títulos que deixo para vocês hoje. Espero do fundo do coração que estudem e principalmente que se importem de verdade com a causa porque o racismo não tem que ser combatido só quando algo toma proporções internacionais; a gente quer que casos como os citados no começo do texto sejam cada vez mais raros, então precisamos do apoio de todas as pessoas, principalmente o seu

Vidas pretas importam todos os dias, não só em datas históricas. 

Luciellen Assis

Luciellen é baiana, de Feira de Santana. Aborda temas, em seus canais, que variam entre estética e beleza negra, moda, autoestima, empoderamento e relações raciais.

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