E quando o Photoshop dá certo?

Outro dia me peguei refletindo com uma amiga sobre a relação entre o photoshop e autoestima. É engraçado pensar que uma ferramenta feita para editar e embelezar imagens pode se tornar um vício e, usado em excesso, pode gerar muitos problemas psicológicos. Quando se trata de uma pessoa pública então, o buraco é mais embaixo. Quantas vezes não vimos fotos grotescas com edições toscas em que o fundo fica extremamente alterado e dá para ver, claramente, onde foi modificado?

 

Já vi vários perfis de sátira no instagram mostrando essas diferenças gritantes e diminuições de medidas toscas nas edições. Todos eles sempre mostram imagens de mulheres famosas, que diminuem cintura, aumentam quadril, deixam o bumbum e os seios lá em cima, se transformam com essa ferramenta. Quando esse erro de modificação fica na cara, o resultado é uma chacota nacional, que sai do instagram e cai na boca do povo e dos grandes portais de fofoca brasileiros.

Mas e quando essas edições funcionam? E quando é feita de forma tão profissional que realmente parece que o corpo da pessoa é daquela forma? Pensem em quantas milhões de mulheres seguidoras se cobram, todos os dias, para conquistar um corpo como o de uma atriz, modelo, musa fitness, blogueira, sendo que este nem é um corpo real. Quantas acreditam que uma dieta “low carb” vai deixa-la com aquela cintura maravilhosa, feita apenas com a ferramenta certa do photoshop ou outro aplicativo de edição qualquer.

Não é errado querer postar sua melhor foto em sua rede social. Não é errado escolher seu melhor ângulo para postar, nem colocar aquele efeito que deixa sua pele perfeita. O que eu acho errado é usar essas ferramentas de forma abusiva, que só ilude a si mesma e quem te segue. O photoshop e autoestima estão muito relacionados. Temos que sempre refletir sobre o que vemos nas redes sociais, o que pode nos agregar positivamente e o que pode nos deixar pra baixo e refletir na forma como nos vemos no espelho.

A mulher que eu gostaria de ser

 

Por mais que as redes sociais deem a entender o contrário, eu estou em uma fase de limbo. Morando em outro país, com uma criança pequena em casa que a cada dia demanda mais da minha atenção, eu tive que suspender boa parte do meu trabalho para dar conta de tudo dentro de casa. Não saio tanto quanto eu gostaria porque tem dias que só de pensar de sair sozinha com uma criança que já tem muita vontade própria já me deixa exausta. Ir ao cinema virou um programa bem caro porque temos que pagar uma babysitter. Livros que antes eu lia em uma semana, hoje eu leio em 3 meses porque chega fim do dia, eu estou cansada e só quero banho e cama, no máximo um episódio de alguma série. Faz algumas semanas que eu não faço minhas unhas (estou aprendendo a fazer em casa, mas ainda sai um verdadeiro desastre). Sö cuido dos cabelos porque posso dizer “Amém, Bio Extratus”.

 

Não me arrependo das escolhas que fiz em momento nenhum, mas volta e meia me pego tentando suprimir sentimentos estranhos, que me fazem pensar que a vida de todo mundo está fluindo enquanto a minha está parada. E diria que as redes sociais são parcialmente responsáveis por esses pensamentos. Eu vejo meu feed do instagram e acompanho a blogueira que está viajando para todos os lugares do mundo, a amiga que virou médica postando como está realizada fazendo plantão, a conhecida advogada que saiu do trabalho para um happy hour e está lá, postando feliz. Vejo a mulher que eu acho linda que é mãe integral de 3 filhos pequenos e está sempre perfeita posando para as fotos. E por um momento eu fico pensando que eu não estou conseguindo ser a mulher que eu gostaria de ser.

 

Mas aí paro pra pensar: que mulher é essa? Eu queria ser médica? Não, para a decepção do meu pai eu nunca tive dom para essa profissão. Happy Hour com roupa de escritório? Mas eu não gosto de trabalhar em escritórios – por isso o blog me satisfaz tanto e sempre amei trabalhar freelance fazendo meus horários. Eu também nunca conseguiria ser o tipo de blogueira que não para nunca em casa, pois nesse sentido eu sou super canceriana. Amo viajar, mas depois de um tempo amo mais voltar pra casa. Lar doce lar sempre. E sobre a vida da mãe perfeita, bem…eu também só posto os meus momentos mais arrumados e bonitos, então imagino que quem veja de fora também pense que eu sou a mãe perfeita, não é mesmo? Uma foto que mostra um bebê brincando em um ambiente imaculado provavelmente acontece porque o entorno está uma zona. hehe

 

Aí eu volto para a minha vida, vejo meu filho brincando e percebo o privilégio que é poder acompanhar essa primeira fase da vida dele tão de perto, sem depender de creches ou babás. Olho para a minha casa e percebo que ela está desarrumada mas é aconchegante, em um bairro incrível e uma vista de tirar o fôlego. Vejo a programação cultural da cidade em que moro e noto como ela é intensa e cheia de novidades. Depois venho para o computador e percebo que tenho meu trabalho, meus amigos e que está tudo onde deveria estar. E por fim, olho para o espelho e feliz, volto ao normal e percebo que eu já sou a mulher que eu gostaria de ser. <3

Como parei de me comparar e comecei a me VALORIZAR

Antigamente, quando via uma pessoa muito bonita, especialmente quando se tratava de uma mulher, logo me comparava em todos os sentidos, sem ver grandes qualidades em mim. Na minha cabeça, para que eu fosse bonita como outras mulheres, eu precisava de cirurgião plástico, de muita dieta restritiva, de dinheiro para bancar artigos de moda e de um grande milagre.

 

 

É engraçado pensar o quanto eu fui, por diversas vezes, injusta comigo mesma. Queria caber em um jeans 36 sem ao menos notar que minha estrutura corporal não comportaria isso, por exemplo. Percebi que o objetivo das minhas comparações com outras mulheres sempre serviu para que eu identificasse os meus defeitos e os ressaltasse para mim mesma, deixando a minha autoestima no chão. Como se não bastasse essa auto sabotagem diária, eu ainda mantinha ao meu lado alguns inimigos particulares, que atacavam a minha segurança todos os dias, me fazendo viver com culpa por não ser perfeita como a outra.

 

Depois de um tempo refletindo sobre essa relação comigo mesma, percebi que eu teria total controle da minha vida se eu realmente me aceitasse da forma como eu sou, ou resolvesse mudar de forma saudável o que não curto tanto em mim. Comecei a me olhar no espelho todos os dias de forma diferente, procurando as minhas qualidades e tentando ressalta-las com artifícios de moda.

 

Nesse processo de mudança de olhar, comecei a anotar em uma agenda tudo que eu gostava em mim, tanto na parte física quanto em minhas atitudes. Dentre as partes que eu mais gostava em mim estava meu cabelo. Comecei a evidenciá-lo em minha vida, com penteados diferentes que me deixavam de bem com minha imagem no espelho. Outra parte que sempre gostei em mim foram as pernas. Comecei a valorizá-las na hora de escolher um look para meu dia a dia.

 

Todas essas pequenas ações me deixaram com uma imagem mais próxima do que eu idealizava para minha vida. Se hoje eu falo sobre moda, beleza e autoestima aliando essas três frentes, é porque realmente eu as usei muito para melhorar a minha relação comigo mesma. Comecei a ter um olhar mais carinhoso e menos exigente comigo, deixando essa relação pessoal mais natural e humanizada.

 

 

 

Com essa fórmula mágica que combina autoestima e aceitação, comecei a me sentir com total controle do que eu queria para minha vida. Comecei a não me comparar mais com outras mulheres e pensar que todas nós estamos em contextos diferentes, em momentos diferentes da vida e temos corpos obviamente diferentes. Parei de me colocar apenas em desvantagem em comparação aos outros e, como consequência, valorizo a minha trajetória pessoal e tudo que já conquistei até hoje.

Existe muito amor próprio em São Paulo

Esses dias a hashtag do papo sobre autoestima completou 1.000 publicações. Muitas histórias minhas, da Carla, das nossas amigas influenciadoras e das seguidoras do futilidades ilustraram essa coleção de fotos, cada legenda e cada imagem mexeu comigo. Tudo isso aconteceu quando Abril acabou, um mês em que pude viver experiências diferentes com esse projeto que fala sobre se conhecer, se admirar como ser humano e de se sentir naturalmente bonita.

Nesse mês embarquei para São Paulo duas vezes, as duas incluíam novos desafios de trabalho e isso mexe com a autoestima profissional de qualquer mulher, mexeu com a minha também. Senti um carrossel de emoções de ansiedade, insegurança, alegria e realização. Foi desafiador e mágico ao mesmo tempo, fez com que eu me sentisse naturalmente poderosa ao ver tudo que se concretizou nessa cidade que não é a minha.

Em abril a Bio Extratus me levou para dar uma palestra falando do #paposobreautoestima na Hair Brasil e eu tive o prazer de dividir os holofotes com a Karen Porfiro. Juntas falamos de cabelo, autoestima e sobre se sentir bonita e poderosa. Sobre quebrar paradigmas e expressar através das nossas personalidades e nossos cabelos quem nós realmente somos.

Não foi fácil falar em público, ainda mais para um público novo pra mim, mas me motivou a acreditar que posso aprender muito ainda, posso fazer muitas coisas diferentes na minha carreira e dar uma palestra pela primeira vez foi só mais uma dessas coisas que a marca me proporcionou. Não foi fácil, mas foi muito especial ver que existe tanto para se falar sobre esse assunto. Nossos cabelos nos ajudam a sermos quem quisermos ser.

 

 

Uma semana depois, ainda em abril, embarquei novamente para São Paulo, dessa vez para viver a experiência do Piquenique do #paposobreautoestima. O tempo estava feio, fazia em torno de 15ºC no Ibirapuera e nosso encontro de mulheres não se abalou. O calor dos corações e das histórias esquentou e a experiência foi sensacional, mais de 30 mulheres contaram suas histórias com relação a autoestima na maternidade, na imagem, no trabalho, no relacionamento e até mesmo nos seus conflitos internos.

Novamente a Bio Extratus estava junto de uma causa tão cheia de incentivo ao amor próprio, a expansão de consciência e a um novo olhar mais amoroso sobre si mesma. Esse projeto do Futi carrega muitos dos valores da marca e fala da importância de nos sentirmos naturalmente bem com quem somos.

Sempre poderemos mudar a cor do nosso cabelo, o corte ou até mesmo o fio. Sempre poderemos emagrecer ou engordar. Mudar de carreira ou não. Casar, separar ou namorar uma nova pessoa. Sempre poderemos mudar, mas fazer tudo isso fica mais gostoso quando nos sentimos naturalmente bonitas, quando nos sentimos naturalmente felizes com quem somos, por dentro e por fora. Tudo junto em uma unidade de nós mesmas.

A palestra, o piquenique e a hashtag me fizeram ver que tão importante quanto falar sobre a minha história é ouvir a das outras mulheres que vêm se impactando de forma positiva com os valores que nós espalhamos lá e aqui, no Naturalmente Bonita.

 

O poder do elogio sincero

Era 1º de janeiro, acordei ainda sonolenta e com um pouco de ressaca da noite da virada. Olhei para o lado e estava ele, me observando dormir e fazendo cafuné em meus cabelos. Dei um sorriso de lado meio sem graça com minha cara lavada e amassada. Antes que eu pudesse falar algo ele me disse: “você é a mulher mais maravilhosa do mundo”.

Naquele momento percebi o quanto estou ao lado de alguém que me ama acima de qualquer padrão. Sempre estive acima do peso e, em minha adolescência, isso foi motivo para fazer dietas malucas e extremamente restritivas, chorar sozinha por “não ter roupa” que caiba em mim e até por vomitar após o almoço com culpa de ter comido além do que deveria.

Depois de alguns anos fazendo terapia, consegui entender melhor minha relação com meu corpo, a supervalorização do padrão inatingível de beleza pela mídia e o quanto isso me afetou na adolescência e poderia afetar outras meninas. E o que isso tem a ver com o fato de meu namorado me achar “a mulher mais maravilhosa do mundo”?

Não estou querendo pregar que sem a opinião dele eu ficaria mal ou que preciso que alguém me ache maravilhosa. Não. Mas aquela atitude tão sincerona logo pela manhã do dia 1º foi tão inesperada que ativou uma chama extra de auto estima em mim. E se, no auge da minha adolescência, essa chama tivesse sido acesa? Quantas chamas conseguimos acender apenas dizendo um elogio sincero em momentos inesperados? Quantos conhecidos você elogiou hoje? E desconhecidos?

A partir daí comecei a colocar em ação algo que já havia feito em 2016: a pratica do elogio. Me levantei, abracei minha mãe e falei que o cabelo dela estava perfeito com aquele corte. No dia seguinte, no trabalho, elogiei a bolsa da minha colega. Na hora do almoço fiz questão de ir até a cozinha do restaurante elogiar o tempero delicioso da carne seca. E desse dia em diante me prometi acender o máximo de chamas que eu conseguir por onde passar. E você? Já acendeu a chama da auto estima de alguém hoje?