Naturalmente Bonita

Naturalmente bonita no Dia da Mulher!

7.mar.2018

Com a aproximação do Dia Internacional da Mulher, eu me vi pensando no quão desafiador é ser mulher, para mim. Não posso falar em nome de outras pessoas, mas eu fui criada sob pressões distintas. Forças opostas me levavam a uma série de pensamentos, na maior parte das vezes, paradoxais. Eu precisava ser magra, pois as pessoas só namoravam e casavam com pessoas magras. Eu precisava ser bonita, afinal era praticamente uma obrigação moral e ética. Mas eu também precisava falar línguas, estudar, tirar boas notas no colégio, passar no vestibular, ingressar numa boa faculdade, arrumar um bom trabalho e não depender de homem nenhum (nem de marido, nem de pai). Eu precisava ser bem-sucedida, eu deveria criar uma família, não ter babá, ser boa filha e despontar na carreira, além do óbvio: ser bonita enquanto fazia tudo isso.

Nossa, quanta pressão!

Me dei conta de que eu fui criada para ser uma SUPERMULHER e acho que no meio disso fui me tornando uma SUPERBAGUNÇA.

O que eu não sabia era que eu não estava sozinha. Todas as mulheres, das mais perfeitas às imperfeitas – aos meus olhos – têm suas inseguranças, mas como somos condicionadas a não expor nossas fragilidades, muitas vezes não sabemos que sofremos todas dos mesmos pensamentos venenosos.

Não é à toa que eu vejo tanta mulher em quadro de ansiedade ao meu redor. Fomos criadas para buscar patamares inatingíveis em tudo, da beleza ao intelecto. Quanta pressão para ser uma mulher no mundo em que eu acreditava existir: magra, cabelo bem cuidado, unha feita, bom namorado, ir bem no trabalho, dividir a conta, não depender, estudar, fazer pós, ser promovida, casar, ser mãe, criar seu filho com sabedoria, levar no colégio, visitar os pais, viajar nas férias, ensinar a comer bem, não deixar assistir porcaria, ser bonita, cuidar do marido, ir pro trabalho e viver repetidamente funções acumuladas.

E quando eu teria tempo de ser eu? Quando poderia me conectar comigo e descobrir do que eu gosto? Enquanto essa pressão era uma verdade, eu me pegava ali: gostando do que me educaram para gostar, pensando o que eu considerava ser o socialmente aceito e fazendo qualquer sacrifício para alcançar esse padrão de beleza tantas vezes inatingível. Eu fiquei doente, muitas outras ainda ficam e poucas de nós conversamos sobre isso.

Com o avanço do feminismo começamos as desconstruções e, aos poucos, bem aos poucos mesmo, foi possível começar a falar daquilo que nos aprisionava. De cara ficou claro que muitas compartilhávamos das mesmas vulnerabilidades, da mesma sensação de pressão.

Alisa o cabelo daqui, faz dieta restritiva dali, coloca unha postiça, contorna o rosto, afina o nariz, exagera na maquiagem e busca parecer tão bonita quanto aquela menina que ainda passa 10 filtros de aplicativo antes de postar a foto. Faz tudo isso, malha de novo, não atrasa no trabalho, junta dinheiro, viaja e volta, tudo sem perder o emprego, tudo tendo de ser inteligente.

De novo, quanta pressão.

Aos poucos percebi que, para a sociedade na qual eu fui criada, ser bonita é mesmo importante. Não posso ser hipócrita e dizer que não me preocupo com isso, que não me preocupo com meu corpo, meu cabelo ou com o reflexo como um todo no espelho. Entretanto, eu não preciso atender ao padrão nos moldes impostos por essa sociedade adoecida, me contento com a beleza que hoje vejo por meio dos meus olhos menos rígidos, um pouco mais flexíveis.

Eu mudei, passei a cuidar de mim de forma diferente, a ver beleza onde antes não enxergava e busquei um novo olhar sobre tudo na minha vida, um ponto de vista amoroso e acolhedor. Entendi que posso estar produzida e poderosa em um dia, da mesma forma que livre e simples em outro. O cabelo poderia ser bonito secando ao vento ou modelado na escova, da mesma forma que preso em um penteado ou naturalmente solto. Claro que ele também pode ter um dia ruim e não ficar bonito de jeito nenhum, tá tudo bem. O importante é que isso não muda nada, tampouco me define. Ser mulher é muito além disso.

Adoro me sentir poderosa, afinal quem não gosta? Adoro ter um tempo para cuidar de mim, da minha pele, do meu cabelo e da minha maquiagem, mas nesse Dia Internacional da Mulher queria reiterar que não precisamos ser perfeitas. Pode ser divertido cuidar da beleza, mas não devemos transformar isso em novas prisões. Muitas vezes condicionamos a nossa felicidade a estar bonita de um jeito padronizado e esquecemos que existem os mais variados conceitos de belo. No fim, mais importante do que a estética é lembrar que a beleza é uma espécie de estado de espírito, uma energia que agente emana. Um borogodó que vem de dentro.

 

Pare e reflita. Passe um tempo com você. Olhe para dentro e você vai descobrir a mulher que você realmente quer ser, não a que esperam de você.

Carioca solteira no Rio de Janeiro, libriana, viciada em produtos de cabelo, e blogueira do Futilidades. Fala principalmente de relacionamento, comportamento e autoestima e busca se enxergar cada vez mais com um olhar mais amoroso e acolhedor. Sua bandeira? Incentivar uma busca pelo amor próprio.

Joana Cannabrava

Carioca solteira no Rio de Janeiro, libriana, viciada em produtos de cabelo, e blogueira do Futilidades. Fala principalment...

Como construí minha autoestima

23.fev.2018

Desde que comecei a blogar, se tem um tipo de comentário que recebo diariamente, tanto no site quanto nas redes sociais, é sobre “como queria ter a sua coragem para usar biquínis”, “como queria ter a sua coragem de ir à praia”. Eu sempre fui muito livre com relação ao verão. Meu relacionamento com essa estação do ano sempre foi de amor incondicional, mesmo encarando a praia de biquíni. Minha autoestima se via muito menos confrontada nesse tipo de ambiente, pois sempre via outros corpos como o meu por lá, com biquíni e maiô, curtindo independente de qualquer coisa. Porém, quando voltava pra vida real, o stress começava.

A roupa sempre me incomodou mais do que o biquíni. Isso porque o ambiente onde uso roupas é diferente do ambiente praia/clube, onde todos estão com o dress code parecido. Ir ao shopping de cropped parecia algo impossível para uma menina gorda como eu, especialmente na adolescência. Me sentia sempre bombardeada por algum comentário maldoso, um olhar diferente ou até mesmo um padrão exposto nas mídias. Aliás, nós mulheres nos vemos diariamente confrontadas por esse padrão. Sempre rolam aquelas matérias sobre o corpo perfeito, a pele perfeita, o cabelo perfeito. E, quando não conseguimos atingir esse padrão ditado por outros, nos sentimos incapazes e não aceitas dentro desse grupo social.

O meu processo de desconstrução desses padrões e da minha autoaceitação começou há um tempinho, quando me vi questionando tudo isso. Me senti burra por não ter percebido o quanto tentar me enquadrar nele me fez infeliz durante quase 20 anos da minha vida. Me achava superinadequada em várias ocasiões e fazia o possível e o impossível para me encaixar de alguma forma em algo inalcançável. Percebi que a única coisa que isso tudo me acarretou foi uma paranoia e ideias erradas. Bem na época em que mais precisava formar meu caráter e me entender como mulher.

Quando me vi entrando na fase adulta, cheia de responsabilidades novas e projetos a serem enfrentados, comecei a pensar no quanto a minha baixa autoestima poderia ser maléfica para meus próprios sonhos. O quanto essa minha falta de respeito comigo mesma e com meus limites poderiam ser  terríveis para mim. Sim, amiga! A única prejudicada no quesito autoestima baixa é você mesma. Não é a TV, não é a revista, não é o blog de vida perfeita.

Foi então que descobri que essa mudança de hábitos e pensamentos deveria ser minha comigo mesma. Bem solitária e egoísta. Se eu pudesse colocar em uma só palavra o que aprendi sobre autoestima feminina nessa fase seria: respeito. Eu aprendi a me respeitar. Respeitar meu corpo, meus limites, minhas diferenças. É claro que esse processo de autoaceitação precisa ser reiterado e alimentado dia após dia. Para que a gente nunca se esqueça de amar incondicionalmente esse corpo que é nosso parceiro 24h por dia, 7 dias por semana. Dessa forma, a gente consegue se libertar dessas ideias antiquadas que só servem para nos colocar pra baixo e só prejudicam a nós mesmas.

 

Sempre muito comunicativa, Ana Luiza nunca teve vergonha de mostrar quem é e o que pensa. Adora escrever textos sobre moda inclusiva e empoderamento feminino, hoje produz looks do dia plus size, resenhas com opiniões reais sobre produtos acessíveis e conteúdo sobre autoestima e feminismo. Ana sabe que “estar na moda” é captar a essência do que é tendência e transferir para seu estilo, deixando sua marca em cada peça e independente do tipo de corpo. Hoje trabalha com consultoria de moda e imagem, marketing digital e com produção de conteúdo em seu blog Cinderela de Mentira.

Ana Luiza Palhares

Sempre muito comunicativa, Ana Luiza nunca teve vergonha de mostrar quem é e o que pensa. Adora escrever textos sobre moda inclusiva e empoderamento feminino, hoje produz looks do dia plus size, rese...