Naturalmente Bonita

Cabelo Crespo e Autoestima

17.dez.2018

O cabelo sempre esteve muito ligado a autoestima da mulher e a ideia de cabelos longos, sedosos, brilhantes e com muito balanço fez parte dos sonhos de muitas meninas negras justamente por ser algo aparentemente inalcançável para nós. Eu me recordo bem de como desejava ter os cabelos lisos durante a infância e adolescência para ser aceita no colégio, já que os elogios eram sempre voltados a meninas com cabelos lisos e longos, mas o meu não era assim. Meu cabelo é crespo e para estar “arrumado” mainha alisava toda sexta-feira com ferro e pente quente. Eu detestava passar por isso, mas acreditava que era necessário porque meu cabelo “não era bom”, então o único jeito de arrumar era alisando.

cabelo crespo

Hoje já com o cabelo natural depois de ter passado pela transição capilar (em um outro texto falarei mais sobre esse período), percebo que nós naturalizamos por anos uma coisa extremamente cruel e nociva à saúde física e psicológica de crianças e adolescentes e que ainda permanece na vida de mulheres adultas hoje em dia. Falar sobre cabelo para mulheres negras não é um assunto simples porque não tem relação apenas com o cabelo. O negócio é bem mais profundo do que as pessoas geralmente imaginam porque está ligado a anos de negação e auto-ódio.

Se quiser saber mais sobre transição capilar, pode conferir aqui.

cabelo crespo

Entender a beleza natural do cabelo crespo e cacheado, dando maior ênfase ao cabelo crespo, que é ainda mais rejeitado por não ter cachos perfeitos, sedosos e brilhosos dá trabalho porque nosso olhar não foi acostumado a isso. Mulheres negras não eram e ainda não são vistas como padrão de beleza e consequentemente nosso cabelo também não é. Exatamente por isso que pessoas crespas como eu, Joicy (Tipo4) e Maraisa (Blz Interior) passamos por diversos ataques na internet por conta das nossas características físicas como cor de pele e tipo de cabelo. A exaltação do cabelo natural existe desde que ele não seja volumoso, nem tenha frizz, ou seja, uma cabelo ondulado ou cacheado mais aberto. No seu primeiro texto aqui, a Joicy falou sobre como o CRESPO É LINDO!

Falar sobre o cabelo da mulher negra tem relação direta com aceitação, empoderamento, enfrentamento ao racismo, ao ódio gratuito e principalmente de resgate a  história de todo um povo que foi apagada pelas marcas da escravidão que acabou a pouquíssimos anos atrás e que ainda é um problema muito mal resolvido no Brasil, já que as pessoas tratam como algo que aconteceu a muito tempo como se tivesse ficado no passado apenas, não levando em consideração a forma como a liberdade foi dada aos escravizados e as consequências que esse descaso causou a nossa geração e uma das marcas desse problema é justamente o racismo velado disfarçado de opinião onde existe uma preferência e aceitação infinitamente maior a tudo que for branco e em contrapartida, a demonização e marginalização do que é negro. Não é apenas falar de cabelo, mas falar de dores, apoiar-se e perceber que a luta é coletiva e constante para que haja uma mudança.

cabelo crespo

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Desmistificar simbologias da cultura negra e retirar conceitos racistas do nosso cotidiano é uma das maneiras mais simples de se lutar contra o racismo. Entender que o cabelo crespo ou cacheado não precisa ser domado, nem ficar sem frizz, que nem todo cabelo é brilhoso mesmo estando saudável e que ele definitivamente não precisa ser definido são coisas aparentemente simples, mas que fazem uma diferença enorme quando falamos da estética do cabelo negro. Essas “necessidades” com relação ao cabelo crespo e cacheado existem hoje justamente por conta de uma política de embranquecimento onde se faz necessário que  nossas características negras sejam menos fortes ou apagadas se necessário e isso não está ligado apenas ao tom de pele, mas também ao cabelo, que é uma das características e símbolo de resistência mais forte do povo negro. A gente cresceu tendo medo do volume, do cabelo “duro” (que na verdade é muito macio), da falta de balanço e de brilho porque o racismo criou isso.

cabelo crespo

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Hoje o movimento de autoconhecimento e resgate da ancestralidade negra é gigante através da internet e tem crescido e se fortalecido mais a cada dia no Brasil e no mundo, e fazer parte de um movimento tão lindo quanto esse é maravilhoso e inspirador. O trabalho ainda vai demorar para acabar porque é muito difícil mudar o nosso pensamento, quanto mais o de outra pessoa. Mas continuaremos usando nossas vozes para propagar a mensagem de amor próprio, da aceitação e do antirracismo aos quatro cantos.

 E se você leu esse texto mas não é uma pessoa negra, não significa que não pode fazer algo com relação a isso. A luta pelo fim do racismo e qualquer outro tipo de preconceito é coletiva e você também faz parte dela.

Luciellen Assis

Luciellen é baiana, de Feira de Santana. Aborda temas, em seus canais, que variam entre estética e beleza negra, moda, autoestima, empoderamento e relações raciais.

Encontrinho em BH com bate-papo e troca de experiências

23.mar.2018

O dia 17 de março poderia ser um sábado normal, mas resolvi fazer um encontrinho com minhas seguidoras das redes sociais e leitoras do blog (que completou 6 anos!). Eu planejei o evento para que fosse um momento de bate-papo sobre autoestima feminina, moda plus size, beleza inclusiva e tudo que temos direito. Não queria que fosse um evento chato, onde as pessoas vão para tirar foto e já vão embora. Realmente arquitetei tudo para que pudéssemos trocar experiências e conhecer gente nova, que estão na mesma sintonia de busca por autoconhecimento que eu tanto falo no blog.

E não é que deu certo? Escolhi marcar o nosso encontro em um shopping de fácil acesso em BH, assim todo mundo poderia participar. Cheguei no local 1h antes do marcado para início do evento e, pra minha surpresa, já tinham chegado várias meninas. Fiquei espantada com o número de mulheres maravilhosas que apareceram lá naquela tarde de sábado. Ao todo foram mais de 70 pessoas para esse bate-papo incrível!

Tratamos de assuntos como empoderamento feminino, relacionamento amoroso e familiar, gordofobia, preconceito, pressão estética, feminismo e muito mais. Pude conhecer muitas mulheres que, assim como eu, estão se conhecendo cada dia mais e se entendendo donas do próprio corpo e das próprias escolhas. Bati na tecla do respeito que devemos ter conosco, que muitas vezes é deixado de lado quando ouvimos algum comentário de gente próxima.

Outro assunto que me perguntaram foi sobre marcas inclusivas, que realmente encabeçam projetos para todo tipo de mulher, respeitando as diferenças. Realmente, hoje em dia é muito difícil diferir o que é genuíno da marca e o que ela faz apenas para gerar buzz e converter em vendas. Conversei sobre o assunto e dei o exemplo mais próximo da minha realidade, que é a Bio Extratus, que além de respeitar o meio ambiente e ser extremamente sustentável, apoia todo tipo de beleza feminina.

No final, todas saíram com produtos da marca para testar em seus fios. Foi um encontrinho muito gostoso e emocionante em diversos momentos. Espero que em breve eu consiga promover mais e mais desse tipo de evento, para que a gente consiga sempre trocar experiências e conhecer gente engajada na causa.

Ana Luiza Palhares

Sempre muito comunicativa, Ana Luiza nunca teve vergonha de mostrar quem é e o que pensa. Adora escrever textos sobre moda inclusiva e empoderamento feminino, hoje produz looks do dia plus size, rese...

Um #paponapiscina para ficar na memória

9.out.2017

Quando pensamos em criar uma pool party do projeto #paposobreautoestima, a primeira coisa que nós pensamos foi que ela seria uma festa para celebrarmos verões sem padrões e sem julgamentos. Nossa ideia foi justamente usar uma piscina como pano de fundo para que leitoras, seguidoras e participantes do grupo se encontrassem para uma tarde descontraída e divertida, com direito a muito biquíni, maiô, caídas na piscina e muito amor próprio.

Acho que nem preciso falar como ficamos felizes de ter a Bio Extratus nos apoiando nessa empreitada, né? Porque o discurso de liberdade com seus cabelos e as diversas linhas pensadas para fazer TODOS ELES serem os melhores possíveis é muito alinhado com o #paposobreautoestima. A quantidade de linhas disponíveis para quem descoloriu, pintou de loiro, fez mechas, pintou de escuro, deixou grisalho, alisou, deixou cachear naturalmente é enorme, assim como as famílias feitas para quem quer revitalizar, fazer crescer, reidratar e tornar seus fios mais fortes.

A primeira festa teve tudo que a gente podia esperar e o feedback que mais ouvimos foi: “eu nunca imaginei que estaria em uma festa na piscina, rodeada de mulheres, dançando de biquíni e não me importando com o meu corpo nem por um segundo”.

A segunda teve um empecilho: a chuva. E, apesar de todos os nossos receios, sabem de uma coisa? Foi incrível do mesmo jeito! Muitas entraram no clima com a gente e apareceram de biquíni com saídas de praia abertas, várias de fato entraram na água e usaram os finalizadores e escovas disponíveis para experimentarem os produtos da Bio Extratus depois. Nós entramos na piscina!

Todas levaram para casa o finalizador da linha Resgate, que é um dos queridinhos, e o Óleo de Argan e Cártamo, ideal para selar as pontas e deixá-las brilhantes e bonitas. Esses dois produtos foram pensados justamente porque são sensacionais e, para quem não conhece a marca, não existe melhor porta de entrada. Quem ficou no hotel – quase 40 meninas vindas de BH, Porto Alegre, São Paulo e outros cantinhos desse Brasilzão – também recebeu no quarto o shampoo e o condicionador da novíssima linha Pós-Coloração.

E, no fim, o que ficou marcado é como a gente não precisa de um tempo maravilhoso para apoiar o #paposobreautoestima. Nesse dia, conseguimos provar que a força do coletivo em criar um ambiente sem julgamentos, com empatia e amor próprio, tem muita luz e energia. Hoje faz quase uma semana que a festa aconteceu, hoje o sol já voltou a brilhar (aliás, voltou a brilhar no dia seguinte da festa, como se São Pedro tivesse feito a chuva cair no sábado só para mostrar pra gente que somos mais fortes que condições meteorológicas) e eu ainda estou pensando em como foi tudo tão especial. E só posso finalizar esse post agradecendo à Bio Extratus por nos apoiar faça chuva ou faça sol e ajudar a levar essa mensagem de liberdade e empoderamento para mulheres de todo o Brasil!

Carla Paredes

Carioca morando em Nova York, mãe do Arthur e blogueira do Futilidades. Fala principalmente de moda, beleza e autoestima, sempre...

O poder do elogio sincero

22.fev.2017

Era 1º de janeiro, acordei ainda sonolenta e com um pouco de ressaca da noite da virada. Olhei para o lado e estava ele, me observando dormir e fazendo cafuné em meus cabelos. Dei um sorriso de lado meio sem graça com minha cara lavada e amassada. Antes que eu pudesse falar algo ele me disse: “você é a mulher mais maravilhosa do mundo”.

Naquele momento percebi o quanto estou ao lado de alguém que me ama acima de qualquer padrão. Sempre estive acima do peso e, em minha adolescência, isso foi motivo para fazer dietas malucas e extremamente restritivas, chorar sozinha por “não ter roupa” que caiba em mim e até por vomitar após o almoço com culpa de ter comido além do que deveria.

Depois de alguns anos fazendo terapia, consegui entender melhor minha relação com meu corpo, a supervalorização do padrão inatingível de beleza pela mídia e o quanto isso me afetou na adolescência e poderia afetar outras meninas. E o que isso tem a ver com o fato de meu namorado me achar “a mulher mais maravilhosa do mundo”?

Não estou querendo pregar que sem a opinião dele eu ficaria mal ou que preciso que alguém me ache maravilhosa. Não. Mas aquela atitude tão sincerona logo pela manhã do dia 1º foi tão inesperada que ativou uma chama extra de auto estima em mim. E se, no auge da minha adolescência, essa chama tivesse sido acesa? Quantas chamas conseguimos acender apenas dizendo um elogio sincero em momentos inesperados? Quantos conhecidos você elogiou hoje? E desconhecidos?

A partir daí comecei a colocar em ação algo que já havia feito em 2016: a pratica do elogio. Me levantei, abracei minha mãe e falei que o cabelo dela estava perfeito com aquele corte. No dia seguinte, no trabalho, elogiei a bolsa da minha colega. Na hora do almoço fiz questão de ir até a cozinha do restaurante elogiar o tempero delicioso da carne seca. E desse dia em diante me prometi acender o máximo de chamas que eu conseguir por onde passar. E você? Já acendeu a chama da auto estima de alguém hoje?

 

Ana Luiza Palhares

Sempre muito comunicativa, Ana Luiza nunca teve vergonha de mostrar quem é e o que pensa. Adora escrever textos sobre moda inclusiva e empoderamento feminino, hoje produz looks do dia plus size, rese...