Naturalmente Bonita

Crespo é lindo!

7.set.2018

cabelo crespo tipo 4

Compreender-se está além do que você vê no espelho. A lida de quem decide traçar o caminho inverso e resgatar sua identidade através da transição capilar é atravessada pela forte presença de referências que se tornam representativas e influenciam no processo de aceitação.

Apesar da extrema importância da imagem representada, é preciso se compreender em suas particularidades e se aceitar diversa. Logo depois da transição, eu comecei a me buscar em outras mulheres que admiro até hoje, mas não foi dessa forma que eu consegui me encontrar.

Somente quando eu passei a dedicar um tempo ao espelho, quando comecei a sentir meus fios de olhos fechados, quando arrisquei me sentir linda depois de frisar todo o cabelo, eu percebi que a minha textura é só minha e isso a torna ainda mais incrível. Meu crespo é lindo. Foi aí que eu percebi que não bastava confrontar um padrão que ditava o alisamento, eu precisaria agora derrubar também a ditadura das texturas.

No momento em que se começou a questionar o processo de embranquecimento da imagem da mulher negra e se acreditou que seria o caminho para o fim de uma cultura racista milenar, novas formas de opressão estética começaram a surgir de maneira naturalizada. Como a aceitação unicamente dos cachos perfeitos, em curvaturas bem delineadas ou a associação do cabelo crespo à falta de cuidado e saúde do fio.

A luta para que a estética da mulher negra seja reconhecida em sua riqueza não pode ser diminuída à saga dos cachos perfeitos ou volume controlado. Ainda inquieta ver mulheres negras em relação de amor com seus fios sem curvaturas definidas, cada vez mais distantes dos padrões.

A forma com que a mulher crespa precisa defender a textura do seu fio é política. O cabelo crespo é um ato político. É preciso gritar que CRESPO É LINDO.

Joicy Eleiny, pernambucana nascida no interior e morando na capital. 21 anos, mulher negra, crespa e LGBT compartilhando empoderamento e provocando discussões acerca de suas lutas principalmente através da estética. Estudante de jornalismo, apaixonada por moda, beleza e brega!

Joicy Eleiny

Joicy Eleiny, pernambucana nascida no interior e morando na capital. 21 anos, mulher negra, crespa e LGBT compartilhando empoderamento e provocando discussões acerca de suas lutas principalmente atra...