Naturalmente Bonita

Existe Cabelo Bom?

Oi, meus amores! Tudo bom com vocês!? A historinha de hoje tem a ver com cultura, com reprodução e com racismo também. Alguma vez você já ouviu o termo “cabelo bom”? Provavelmente várias, certo!? Talvez algumas até tenham saído da sua própria boca.

MAS CALMA AÍ, então quer dizer que você é racista?? 😨

Se você não tem o cabelo crespo, o termo “cabelo bom” pode ser só mais uma forma “descontraída” de dizer que o seu cabelo não está do jeito que você gostaria, então a minha intenção agora é te fazer considerar esse texto uma oportunidade de furar a sua bolha e entender o quão problemático é continuar repetindo isso.

Cabelo bom?

Vivemos e somos ensinados diversos conceitos a partir de uma cultura racista que nos mostra desde muito cedo o que seria o bonito ou feio, certo ou errado, bom ou ruim. É uma cultura que está além da nossa individualidade e que nos transforma em sujeitos reprodutores de ideologias discriminatórias e de fato violentas, quando talvez sequer percebemos.

Eu, enquanto mulher negra e crespa, anos atrás, distante de toda a consciência racial que construi até hoje, consigo lembrar de inúmeras situações em que assumi o meu cabelo como “ruim”, por exemplo. E por isso é importante que discutamos e ouçamos cada vez mais sobre pessoas com as mesmas vivências que as nossas, mas principalmente com realidades distintas (lembra do nosso trato de furar a bolha?).

A imposição do padrão da beleza branca-magra-lisa-loira-europeia é uma violência não só simbólica que atinge a mulher negra em sua construção pessoal de forma física mesmo. Principalmente, até pouco tempo atrás, quando se falava muito pouco sobre o cuidado consigo e o respeito à sua identidade seja ela qual for, os métodos de alisamento para cabelo eram ainda mais fortes, como o caso do alisamento através do pente quente, que consiste no uso periódico de um pente esquentado diretamente no fogo e passado no cabelo. Sim! Isso era muitíssimo comum.

A ideia de tentar embranquecer uma sociedade por completo, partindo do pressuposto que o negro seria algo ruim, assim como o seu cabelo, leva essa cultura racista a promover e estimular uma violência no discurso capaz de deixar marcas físicas e psicológicas.

Entendeu onde mora o perigo!?

A estrutura natural do cabelo crespo não necessariamente tem definição. O cabelo crespo não reflete à luz da mesma forma que um fio liso. O cabelo crespo geralmente é volumoso. Definição não é sinônimo de hidratação. Ter o cabelo naturalmente crespo não é usar um acessório estiloso.

Ser mulher negra não é ter beleza exótica E MEU CABELO NÃO É RUIM!

É muita análise no nosso próprio discurso, disposição para ouvir e aprender, disposição para se propor a um processo minucioso de desconstrução até entender que você provavelmente já reproduziu termos racistas em seu cotidiano. Se você está pensando “NOSSA! Quanta coisa eu preciso fazer para que minhas palavras não acabem machucando ninguém”, pensa então como é estar do outro lado e pensar “NOSSA! Quanta coisa eu preciso fazer para que o que as pessoas dizem sobre o meu eu não acabe tirando a minha sanidade e apagando a minha identidade”.

Mas agora uma ótima notícia: AINDA DÁ TEMPO DE MUDAR!!

Começar de agora, que tal? Cabelo ruim a gente já entendeu que não existe, é uma fala que você não precisa reproduzir, mas existem muitas outras.

Romper com o discurso racista é se mostrar consciente da violência exercida por ele e não ser conivente com essa postura. É ser aliado na luta anti-racista.

Joicy Eleiny

Joicy Eleiny, pernambucana nascida no interior e morando na capital. 21 anos, mulher negra, crespa e LGBT compartilhando empoderamento e provocando discussões acerca de suas lutas principalmente atra...

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