Naturalmente Bonita

Moda: Tá diferente ou tá padrão?

Depois de trabalhar com moda há tanto tempo, é fácil a gente olhar pra trás e ficar abismada – ou horrorizada! – com muitas coisas erradas, ostensivas e totalmente preconceituosas que aconteciam nesse mundinho fashion que pode ser tão pequenininho… Pequenininho, eu digo, de mentalidade, sabe? Mas, ó, só pra esclarecer, sem generalizações, tá? Porque quando a gente generalizada sempre dá errado e existem, sim, milhares de coisas boas na moda hoje em dia.

É claro que não vou ser falsa e dizer que tudo está bem e perfeito. Eu sei que ainda há muito por fazer e melhorar nessa área, mas também não posso deixar de enxergar as mudanças positivas que foram conquistadas.

moda

.

Sim, conquistadas, porque foi preciso luta, discussão e até lei para ampliar a representativa de modelos negros nos desfiles, por exemplo, e acho triste demais ter de existir uma lei assim e de precisar criá-la para exigir um percentual de participação negra nas passarelas.

moda

Anok Yai, segunda modelo negra (a primeira foi Naomi Campbell, em 1997), a abrir um desfile da Prada, depois de mais de 20 anos

.

Bom, mas nesse texto aqui, não quero apontar o dedo ainda mais para o que está errado e o que precisa de mudança agora, já. Eu quero conversar, fazer você puxar uma cadeira e bater um papo comigo sobre como as mudanças, que são poucas, mas são boas. Como é legal ver cada vez mais pessoas promovendo o respeito, se aceitando e se amando, mesmo que, pra alguns, isso ainda possa parecer ser “diferente”, fora do padrão, como assim?

Peraí, parêntesis aqui: acho que não vale mais a pena a gente pensar que existe “o ser diferente”, gente! O ser humano não é padronizado, não é tudo igual. Pelo contrário, é individual e é lindo em suas diferenças. O que deve, de fato, ser igual, pra promover mesmo igualdade, é o respeito, os direitos, a inclusão das diferenças, a individualidade, a compaixão pelo próximo e, até, as obrigações. Claro!

Mas voltando à moda, posso dizer que dá gosto de ver o quanto já foi feito pra mudar, pra representar, pra incluir e pra respeitar. Como assim?

Acho lindo de ver, e mais do que necessário, pessoas negras nas capas de revistas, nos anúncios da TV, no enredo principal da novela; adoro assistir a um desfile onde há espaço para a participação de modelos de várias idades – não só as novinhas! – acho lindo ver a modelo Paola Antonini brilhando na passarela. Também acho lindo e inesquecível o desfile somente com modelos transgênero de Ronaldo Fraga, que deu voz a pessoas, muitas vezes, deixadas de lado!

moda

Desfile de Ronaldo Fraga – SPFW N42

.

Também adoro ver as modelos curvy arrasando em cada passo nos desfiles, e, ó, como é lindo seu gingado. Gosto também de perceber que existem poucas, pouquíssimas mesmo, marcas que ainda usam peles de animais em suas coleções ou que não se preocupam com o impacto ambiental. Também fico feliz demais de ver a preocupação com o reúso de fibras de tecido (que antes iriam para o lixo, poluindo ainda mais o meio ambiente), sendo transformadas em novas e lindíssimas roupas.

moda

Desfile primavera/verão 2019 da Renner

moda

.

Ah, e gosto demais de ver marcas e empresas que respeitam o ser humano, que não admitem a participação de trabalho escravo em sua cadeia produtiva e que, cada vez mais, valorizam seus trabalhadores.

moda

Imagem da BBC

.

Mas como esse texto não é um livro, é claro que só citei alguns exemplos.

Sei que ainda tem muito a ser feito e que pode/deve ser feito, mas ai, como é bom ver a beleza dessas conquistas tão importantes para a igualdade e a representatividade. E que venham mais mudanças boas e positivas nesse nosso mundão, gente! Por aqui, eu tô sempre na torcida! E por aí?

Por Mirian Barranco Herrera (www.oavessodamoda.com)

Fonte das imagens: divulgação, Renner, BBC, Accessible Fashion Technology

É consultora de moda, coolhunter e personal stylist formada em Propaganda & Marketing pela Universidade Mackenzie e pós-graduada em moda pelo Studio Berçot (Paris) e pelo SENAC-SP. Como produtora cultural, gerenciou projetos em órgãos públicos como na Embaixada da Espanha em São Paulo e no Museu da Cidade de São Paulo. No O Avesso da Moda é criadora e editora-chefe do blog.

É consultora de moda, coolhunter e personal stylist formada em Propaganda & Marketing pela Universidade Mackenzie e pós-graduada em moda pelo Studio Berçot (Paris) e pelo SENAC-SP. Como produtora cultural, gerenciou projetos em órgãos públicos como na Embaixada da Espanha em São Paulo e no Museu da Cidade de São Paulo. No O Avesso da Moda é criadora e editora-chefe do blog.

Mirian Herrera

É consultora de moda, coolhunter e personal stylist formada em Propaganda & Marketing pela Universidade Mackenzie e pós-graduada em moda pelo Studio Berçot (Paris) e pelo SENAC-SP. Como p...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *