E se falhar, vai falhado mesmo

Eu tenho a impressão que vivemos em um mundo onde você é obrigada a ser bem-sucedida para ganhar algum respeito. Vejam bem a palavra que eu usei: obrigação. Não estou falando apenas de trabalho, estou falando da academia, da maternidade, das amizades, de relacionamentos. Falhar não é uma opção em nenhum caso.

Você desiste de ir a uma aula da academia porque todas as outras pessoas parecem melhores e com mais disposição física do que você. Você teme arriscar algo novo na sua vida profissional porque fica com medo de dar errado – e fazem parecer que isso é um pecado maior do que tentar e não conseguir. A culpa materna é 100% vinculada ao medo de errar e, consequentemente, ser considerada uma péssima mãe. Você tem medo de entrar numa relação porque já teve tantos outros relacionamentos frustrados. Enfim, todos os caminhos chegam à conclusão de que falhar é um terror. Mas será mesmo?

É claro que todo mundo gosta de tentar e acertar de primeira, faz bem para a autoestima e a autoconfiança. Mas até que ponto essa competição que criamos com nós mesmas é saudável? Ninguém aqui é uma máquina, criada para agir sempre da maneira esperada justamente para evitar os erros. Então, por que não consideramos que falhar é uma parte natural da nossa trajetória? Por que encaramos como vergonha ou desmerecimento? Por que deixamos que o medo de falhar faça com que a gente fique inerte?

Vejo meu filho aprendendo a encaixar as coisas no lugar e percebo como crianças são destemidas e livres. Ele faz força, muda de posição, tenta em outro buraco, olha pra mim, chora, pede ajuda e, quando consegue, fica nas nuvens. Ele pode até se frustrar por não estar conseguindo, mas o medo de errar não existe. A paralisia por esse medo também não, assim como não existe vergonha de pedir ajuda.

Quero não ser imune a frios na barriga, a novas experiências, à empolgação de tentar algo novo. E se não der certo do jeito que eu imaginava? A gente pede ajuda, tenta de novo, dá um jeito de reverter a falha ou tudo isso junto. 🙂

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